sábado, 30 de agosto de 2008

O LADO OCULTO DAS REUNIÕES EM LOJA



Consideremos o lado oculto de uma reunião de uma Loja, mais especificamente, o encontro semanal comum, onde a Loja está seguindo uma linha de estudo definida. Refiro-me, é claro, somente, aos encontros dos membros da Loja, pois os efeitos ocultos, que desejo descrever, são de todo impossíveis quando se trata de quaisquer reuniões em que são admitidos não-membros.


Naturalmente, o trabalho de toda Loja tem seu lado público. Há palestras dadas ao público, e se concede espaço para que perguntem coisas; tudo isso é bom e necessário. Mas toda Loja, que é digna de seu nome, também, faz algo muito mais elevado do que qualquer outro trabalho no plano físico, e este trabalho mais elevado só pode ser feito em seus encontros privados. Além disso, ele só pode ser realizado, se estes encontros são conduzidos de forma apropriada e todo harmoniosa.



Se os membros estão pensando em si mesmos de qualquer modo; se eles têm vaidades pessoais expressas, como o desejo de brilhar ou de tomar parte proeminente nos trabalhos; se possuem outros sentimentos personalistas, de modo que possam sentir-se ofendidos ou afetados por inveja ou ciúme, possivelmente, nenhum efeito oculto poderá ser produzido. Mas se eles esqueceram de si mesmos no anseio ardente de entender o assunto, que está sendo estudado, um resultado muito considerável e benéfico, do qual eles usualmente não têm a menor idéia, pode, prontamente, ser produzido. Deixem-me explicar a razão disto.



Suponhamos que se realize uma série de encontros, onde está sendo estudado um determinado livro. Todo membro saberá, de antemão, quais parágrafos ou páginas serão abordados no encontro, e espera-se que ele não chegue à reunião sem uma preparação prévia. Ele não deve estar em uma atitude completamente passiva, como um passarinho em seu ninho, à espera de que alguém vá alimentá-lo; ao contrário, todos os membros devem ter uma compreensão inteligente do assunto, que vai ser analisado, e devem estar preparados para contribuir com sua parte de informação. Um bom plano é que cada membro do círculo faça-se responsável pelo exame de alguns dos nossos livros Teosóficos.



O assunto a ser debatido no encontro deve ter sido anunciado no encontro anterior, e cada membro deve responsabilizar-se pela procura, no livro ou nos livros, de que se encarregou, de qualquer referência ao assunto em questão, de modo que, quando chega ao encontro, ele já possui todas as informações que aqueles livros particulares contêm a esse respeito, e está preparado para contribuir quando for solicitado. Desse modo, cada membro tem seu trabalho a fazer, e cada um é grandemente auxiliado na direção de uma compreensão clara e plena do assunto sob consideração, quando todos os presentes fixam, firmemente, sua atenção sobre ele. A fim de entendermos isso completamente, pensemos por um momento no efeito de um pensamento.



Todo pensamento, que seja suficientemente definido para ser digno do nome, produz dois resultados distintos. Primeiro, ele é por si mesmo uma vibração do corpo mental, que pode ocorrer em diferentes níveis dentro desse corpo. Assim como qualquer outra vibração, ele tende a reproduzir-se na matéria circundante. Assim como a corda de uma harpa, posta a vibrar, comunica a vibração ao ar em torno, produzindo um som audível, da mesma forma, a vibração do pensamento, produzida em matéria de determinada densidade dentro do corpo mental da pessoa, comunica-se à matéria da mesma densidade no plano mental que a rodeia.



Segundo, cada pensamento rodeia a si mesmo, como matéria viva do plano mental, e torna-se um veículo, que denominamos forma-pensamento. Se o pensamento é um simples exercício do intelecto (como quando estamos envolvidos na resolução de um problema matemático ou geométrico), a forma-pensamento permanece nos planos mentais; mas, se ela for minimamente tingida de desejo ou emoção, ou se de qualquer maneira for ligada ao eu pessoal, imediatamente, ela atrai para si também uma veste de matéria astral, e se manifesta no plano astral.



Um esforço intenso para compreensão do abstrato - uma tentativa de compreender o que significa a quarta dimensão ou o "arquétipo" de uma mesa, por exemplo - significa uma atividade nos níveis mentais mais altos; mas, se o pensamento é mesclado de afeição altruísta, elevada aspiração ou devoção, é mesmo possível q ue possa ser penetrado de uma vibração do plano búdico e ter seu poder multiplicado centenas de vezes. Devemos considerar esses dois resultados em separado e ver o que decorre de cada um.



A vibração pode ser imaginada como se irradiando no plano mental através da matéria, que for capaz de responder a ela, isto é, através de matéria do mesmo grau de densidade que aquela, onde ela foi gerada originalmente. Irradiando-se dessa forma, ela naturalmente entra em contato com os corpos mentais de muitas outras pessoas, e sua tendência é reproduzir-se nesses corpos. A distância, a que ela é capaz de se irradiar, depende em parte da natureza da vibração e em parte da oposição que encontra. As vibrações, misturadas aos tipos mais baixos de matéria astral, podem ser refletidas ou neutralizadas por um a multidão de outras vibrações no mesmo nível, assim como, no meio do ruído de uma grande cidade, um som suave será completamente abafado.



O pensamento auto centrado usual do homem comum inicia no mais baixo dos níveis mentais e, imediatamente, mergulha nos planos astrais correspondentemente baixos.



Portanto seu poder em ambos os planos é muito limitado, pois, por mais violento que seja, existe um mar tão vasto e turbulento de pensamentos similares em toda parte, que as vibrações muito logo se perdem e dissipam na confusão.



Uma vibração, gerada em um nível mais alto, contudo, tem um campo muito mais livre para sua atuação, porque, no presente, o número de pensamentos, que produz esse tipo de vibração, é muito reduzido - de fato, o Pensamento Teosófico está quase em uma classe especial no que diz respeito a esse ponto de vista. Há pessoas realmente religiosas cujo pensamento é tão elevado quanto o nosso, mas nunca é igualmente preciso e definido; há vasto número de pessoas cujos pensamentos sobre negócios e ganho de dinheiro são tão exatos quanto poderia ser desejado, mas não são nem elevados nem altruístas. Até mesmo o pensamento científico pouco alcança a mesma classe que o verdadeiro Pensamento Teosófico, de modo que se pode dizer que nossos estudantes possuem um campo só para eles no mundo mental.



O resultado disso é que, quando uma pessoa pensa em Assuntos Teosóficos ela está emitindo a toda sua volta uma vibração, que é muito poderosa, pois praticamente não encontra oposição, como um som no meio de um vasto silêncio, ou como uma luz, brilhando no meio da noite mais escura. Ela põe em movimento um nível de matéria mental, que até agora mui raramente é usado, e as radiações, que ela causa, atingem o corpo mental do homem comum em um ponto, que está praticamente adormecido.



É isso que dá a esse pensamento seu valor especial, não só para o pensador, mas como para os que estão à sua volta, pois sua tendência é despertar e levar à atividade uma parte todo nova do aparato pensante. Deve ser entendido que tal vibração não, necessariamente, veicula Pensamentos Teosóficos aos que os ignoram, mas, ao estimular essa porção mais alta do corpo mental, indubitavelmente, ela tende a elevar e liberalizar o pensamento da pessoa como um todo, ao longo de quaisquer linhas em que ele esteja acostumado a funcionar, e assim produz um benefício incalculável.



Se o pensamento de uma única pessoa produz estes resultados, logo entenderemos que o pensamento de vinte ou trinta pessoas, dirigido para o mesmo assunto, resultará em uma força imensamente maior.



O poder do pensamento unificado de um grupo de pessoas é de longe maior que a soma dos seus pensamentos em separado, seria muito mais fielmente indicado pelo produto de sua multiplicação. Assim se vê que, mesmo só desse ponto de vista, é muito bom que uma cidade ou comunidade tenha em seu meio uma Loja Teosófica com encontros regulares, uma vez que seus trabalhos – se forem conduzidos no espírito apropriado - não podem senão ter um efeito, nitidamente, elevador e enobrecedor sobre o pensamento da população em torno. Naturalmente haverá muitas pessoas cujas mentes, ainda, não podem, de modo algum, ser despertas nesses níveis elevados, mas, mesmo para essas, o constante impacto de ondas desse pensamento mais elevado trará, para mais perto, o tempo de seu despertar.



Tampouco devemos esquecer o resultado produzido pela formação de formas- pensamentos definidas. Elas também irradiarão a partir do centro das atividades, mas podem afetar apenas as mentes, que, em algum grau, já forem responsivas a idéias dessa natureza. Hoje em dia, já existem muitas dessas mentes, e há membros que podem atestar o fato de que, depois de terem discutido uma questão como a reencarnação, não é incomum que sejam solicitados a dar informações sobre esse mesmo assunto para pessoas, que eles não supunham estar nele interessadas anteriormente. Deve ser observado que a forma-pensamento é capaz de veicular a natureza exata do pensamento para aqueles, que estiverem de alguma forma preparados para recebê-la, ao passo que a vibração do pensamento, embora alcance um círculo maior, é muito menos definida em sua atuação.



Podemos ver, assim, que, sobre o plano mental, é produzido um efeito impressionante, muito além das intenções de nossos membros no decurso usual de seus estudos - algo muito maior, em verdade, do que seus esforços conscientes no sentido de propaganda jamais produziriam. Mas isso não é tudo, pois a parte mais importante ainda está por vir. Toda Loja da Sociedade é um centro de interesse para os Grandes Mestres de Sabedoria, e, quando ela trabalha lealmente Seus pensamentos e os de Seus discípulos, freqüentemente, voltam-se para ela. Dessa forma, freqüentemente, uma força muito maior do que a nossa brilha de nossos encontros, e uma influência de valor inestimável pode ser focalizada, onde, até onde sabemos, não poderia ser colocada de outra maneira. Esse pode, de fato, parecer o limite que nosso trabalho pode alcançar, mas há outra coisa ainda maior.



Todos os estudantes do oculto sabem que a luz e vida do Logos inundam todo o Seu sistema – que, em todos os planos, é derramada a manifestação específica e apropriada de Sua força. Naturalmente, quanto mais elevado o plano, menos velada é a Sua glória, porque, quanto mais subimos, mais nos aproximamos de Sua fonte.



Normalmente a força derramada em cada plano fica estritamente limitada a ele, mas ela pode descer e iluminar um plano mais abaixo, se for preparado um canal especialpara ela.



Um desses canais é fornecido sempre que um pensamento ou sentimento tenha um aspecto completamente impessoal. Uma emoção egoísta se move em uma curva fechada e, assim, traz sua resposta em seu próprio plano, uma emoção completamente altruísta é um jorro de energia que não retorna, mas, em seu próprio movimento ascendente, provê um canal para o derramamento de poder divino a partir do plano imediatamente acima. Essa é a realidade que jaz por trás da antiga idéia da resposta às preces.



A pessoa, que se ocupa seriamente do estudo das coisas superiores durante este tempo, é elevada inteiramente acima de si mesma e gera uma poderosa forma-pensamento no plano mental. Essa é imediatamente empregada como um canal pela força que paira no plano imediatamente acima. Quando um grupo de pessoas se reúne em um pensamento dessa natureza, o canal, que elas criam, é, em sua capacidade, desproporcionalmente maior do que a soma de seus canais separados; um encontro desses é, portanto, uma bênção inestimável para a comunidade, onde ocorre, pois, através dele (mesmo nos encontros mais comuns de estudo, quando se analisam assuntos como Rondas eRaças, Pitris e Cadeias Planetárias), pode acontecer um derramamento para dentro do plano mental inferior de forças que, normalmente, são características do mental superior.



Se a atenção é dirigida para o lado mais elevado do Ensinamento Teosófico e estudam-se questões de ética e do desenvolvimento da alma, como as que encontramos em A Luz no Caminho, A Voz do Silêncio e nossos outros livros devocionais, ela pode criar um canal de pensamento mais elevado, através do qual a força do próprio plano búdico desce até o mental, e assim se irradia e influencia para o bem muitas almas, que, de modo algum, estariam abertas para isso, se a força permanecesse em seu próprio nível.



Essa é a função real e maior de uma Loja - prover um canal para a distribuição da vida divina, e, assim, temos outra ilustração para nos mostrar o quão maior é o invisível do que o visível. Para os fracos olhos físicos, tudo o que se vê é um pequeno grupo de estudantes, encontrando-se semanalmente no anseio ardente de aprender e se qualificar para ser de utilidade para seus irmãos. Mas, para os que podem ver mais do mundo, dessa pequena raiz, brota uma flor gloriosa, pois não menos que quatro poderosas correntes de influência se irradiam daquele centro aparentemente insignificante – a corrente da vibração do pensamento, o grupo de formas pensamento, o magnetismo dos Mestres de Sabedoria, a poderosa torrente de energia divina.



Eis, também, aqui, um exemplo da importância prática de um conhecimento do lado invisível da vida. Pela falta desse conhecimento, muitos membros se tornam relapsos no desempenho de seus deveres, descuidados na assiduidade aos encontros da Loja, e, assim, perdem o privilégio inestimável de se tornarem partes de um canal para a Vida Divina. De fato, tenho ouvido falar de alguns membros, que são irregulares em sua freqüência porque consideram as reuniões enfadonhas e acham que não ganham muito com elas! Essas pessoas ainda, não compreenderam o fato elementar de que eles se reúnem não para receber, mas para dar; não para ganhar e se divertir, mas para assumirem seu lugar em um trabalho grandioso para o bem da humanidade.



Existe um lado invisível em tudo, e viver a vida de um ocultista é estudar esse lado interno mais elevado da natureza, e, então, adaptar-se a ele de modo inteligente. O ocultista olha para o todo de cada assunto que aborda, em vez de apenas parasua parte mais baixa e menos importante, e, assim, organiza suas ações de acordo com o que vê, em obediência ao que ditam o simples bom senso e a Lei de Amor, que guia o universo. Aqueles, pois, que querem estudar e praticar ocultismo, devem desenvolver em si mesmos três características inestimáveis: conhecimento, bom senso e amor.



A Teosofia não deve representar meramente uma coleção de verdades morais, um feixe de éticas metafísicas epitomizadas nas dissertações teóricas. A Teosofia deve ser prática e, portanto, livre de discussões inúteis. Ela deve encontrar expressão objetiva em um vasto código da vida completamente impregnado com seu espírito - o espírito da tolerância mútua, caridade e amor.


Fonte: Samaúma - Portal Maçônico

Texto de Charles W. Leadbeater

sexta-feira, 29 de agosto de 2008

MULHERES NA MAÇONARIA

A não admissão de mulheres na Maçonaria é uma tradição milenar que vem desde os Maçons Medievais, que deles vem sendo transmitida até nós através dos manuscritos dos antigos deveres que serviram de base para a elaboração dos regulamentos dos livros das constituições de James Anderson. Não há nenhum preceito especial que proíba as mulheres de participar da Maçonaria. Talvez a reclamação mais antiga que se conhece é contra essa tradição é da Rainha Elizabete quando no início do reinado, ao tomar conhecimento da existência da Maçonaria, soube não poder se afiliar a ela por ser mulher e assim não participar de seus segredos.
Não sendo um preceito formal pareceria aparentemente fácil esta tradição; pois bastaria simplesmente remover esta tradição. O problema está nas conseqüências de porque em qualquer sociedade a remoção de tradições milenares sempre traz consigo um mundo de contradições entre conservadores e não conservadores, e certamente surgiriam muitas cisões que poderiam levar a Maçonaria a uma grave situação de instabilidade interna de conseqüências imprevisíveis.
Mas na Maçonaria surge um problema adicional. A Maçonaria, apesar de universal, não tem um governo central, ou de uma administração mundial. Os grão-mestrados são todos completamente independentes, entre si, e não há quem os supervisione a não ser nas raras confederações. O que mantém a Maçonaria estável é uma tênue linha de comando mantida por uma série de dúbios landemarques e um regulamento geral maleável vindo dos manuscritos medievais que se baseiam na tradição, e nada mais.
Embora alguns citem a Grande Loja Unida da Inglaterra como um poder soberano, ela não tem nenhum poder de sanção sobre os Grão-Mestrados, pois todos eles funcionam perfeitamente quer sejam ou não sejam por ela reconhecidos. Ademais ela é sempre governada por um membro da Casa Real Inglesa e se ela fosse um poder máximo maçônico estaria toda Maçonaria Mundial submissa a um membro da Casa Real Inglesa já que o Grão Mestre da Grande Loja Unida da Inglaterra é sempre um nobre dessa estirpe. Aliás, o seu próprio nome já o diz, grande Loja Unida da Inglaterra, não da Terra.
Nessa situação, para mudar a tradição seria necessário convocar uma grande assembléia mundial de todos os Grão Mestrados e obter sua unanimidade na aceitação de mulheres. Só pensar nisso já nos dá calafrios.
Uma outra questão a considerar é que nenhum Grão Mestre pode se pronunciar sobre assuntos maçônicos fora da alçada dos seus poderes constitucionais sem que esteja autorizado por seu colégio de veneráveis, pois um assunto assim deverá ter necessariamente o aval das lojas, e os seus veneráveis devem ter a mesma aprovação unânime de seus membros.
Depois de assim, todos os Grão-Mestres estarem devidamente autorizados, seria necessário que se conseguisse unanimidade, ou pelo menos maioria absoluta no referido congresso mundial. Depois disso tudo vem a duvida maior. Quem teria poder para estabelecer as regras para esse magno conclave? Quem teria competência para convocar uma Assembléia assim? E mesmo que isso pudesse ser conseguido, quem teria o poder de promulgar e oficializar ou fazer cumprir a resolução? As próprias associações de Grão-Mestres, por mais poderosas que pareçam ser não têm nenhum poder de ingerência na administração dos Grão-Mestres associados.
Se quisermos evitar um imenso aparecimento de cisões e desentendimentos, creio melhor deixar tudo como está, e lançar uma pergunta: Se as mulheres têm tanto interesse na Maçonaria porque as Maçonarias mistas, ou mesmo as Maçonarias femininas, não progridem?
Pode até ser justo querermos aplacar as nossas consciências pelo fato de não admitirmos mulheres, mas para o bem da Maçonaria é muito melhor deixar como está.
Esta tradição é tão antiga quanto as guildas dos maçons medievais do século IX, quando as mulheres eram socialmente marginalizadas, uma situação que atravessou a Idade Média e a Idade Moderna, e entrou pela Era Contemporânea até ainda as primeiras décadas do século XX.
Isto lembra uma resposta dada pelo Papa João XXIII quando, em visita a América do Norte, recebeu uma comissão de mulheres que lhe foi pedir autorização para exercerem o sacerdócio. Ele disse: Isto é uma tradição milenar que não pode ser discutida.
Fonte: Samaúma - Portal Maçônico
Texto do Saudoso Irm Ambrósio Peters.
A R L S "Os Templários"
GOB/Paraná
Or de Curitiba - PR.
Escritor, Historiador Filosofo e Livre Pensador.

quinta-feira, 28 de agosto de 2008

O ARQUEIRO E O ALVO – REFLEXÃO DE UM MAÇOM...!!!




No Japão, um professor alemão, Herrigel, estava aprendendo a arte do arco-e-flecha com um mestre Zen.
Ele se tornou perfeito, 100% perfeito, não errava nenhum alvo.

Naturalmente, ele disse ao mestre: "Agora o que resta aprender aqui? Posso ir embora agora?".

O mestre respondeu: "Você pode ir, mas não aprendeu nem o bê-á-bá da minha arte".

Herrigel disse: "O bê-á-bá da sua arte? Mas eu sempre acerto o alvo!".

O mestre replicou: "Quem está falando em alvo?
Qualquer tolo pode fazer isso, basta praticar. Isso não tem nada de mais; agora é que começa a verdade.
Quando o arqueiro pega o arco e a flecha e mira o alvo, há três coisas aí: uma é o arqueiro, o mais fundamental e básico, a fonte, a essência; depois há a flecha, o que passará do arqueiro para o alvo; e depois há o "olho do touro", o alvo, o ponto mais distante.
Se você acertou o alvo, atingiu o mais distante, tocou na periferia.

Você precisa tocar na fonte; você se tornou tecnicamente um especialista em atingir o alvo; mas, se estiver tentando penetrar nas águas mais profundas isso não é muito.
Você é um especialista, é uma pessoa de conhecimento, mas não de sabedoria.
A flecha se movimenta a partir de você, mas você não sabe de que fonte vem a energia que a movimenta, com qual energia.
Como ela se movimenta?
Quem a está movimentando?
Você não sabe isso, não conhece o arqueiro.

Você praticou o arco-e-flecha, o alvo você acertou, sua pontaria foi 100% perfeita, você se tornou eficiente com um nível de perfeição de 100%, mas isso se refere ao alvo.
E você? E o arqueiro? Alguma coisa aconteceu no arqueiro?
Sua consciência mudou um pouco? Não, nada mudou.

Você é um técnico e não um artista.
Você vê as flores de uma árvore, mas esse não é o conhecimento real, a menos que você penetre fundo e conheça as raízes.
As flores dependem das raízes; elas nada mais são do que a expressão da essência das raízes.
As raízes estão carregando a poesia,a fonte, a seiva que se tornarão as flores, que se tornarão os frutos, que se tornarão as folhas.

E, se você contar continuamente somente com as flores, os frutos e as flores e nunca penetrar na escuridão da terra, nunca entenderá a árvore, pois a árvore está nas raízes."




Fabio Fraga.’.
GORGS

P A C I Ê N C I A


“Daí-me forças, SENHOR, para mudar as coisas que podem e devem ser mudadas; paciência para suportar as coisas que não podem ou devem ser mudadas; e, sobretudo, daí-me inteligência para discernir umas das outras”.

Na prece acima, atribuída ao Almirante Hast, em vez de “suportar” diriamos “conviver com”. Paciência e Sabedoria para conviver com as coisas que não podem nem devem ser mudadas.

A Ordem Maçônica cultiva a paciência como virtude principal, conhecedora que ela é do “ponto de partida” para encontrar as demais virtudes.

A Maçonaria cultiva a paciência porque é irmã gêmea da tolerância e uma virtude que consiste na capacidade constante em suportar as adversidades, as dores, os infortúnios, com resignação subordinada à fortaleza da alma. É resignação, de um lado, perseverânça tranquila, de outro. E essa à conquista do alvo planejado. O obreiro maçom, para desbastar a pedra bruta, burilá-la e puli-la, deve revestir-se de paciência.

Diz-se que o tempo, a paciência e a perseverança nos conferem a integridade e habilitam a realizar todas as coisas, e talvez, finalmente, a encontrar a verdadeira Palavra do Mestre.

Pernetry, filósofo hermético, menciona que os alquimistas diziam: “o trabalho da pedra filosofal é um trabalho de paciência, tendo em vista a duração de tempo e de labor necessários para levá-lo à perfeição”; afirma Geber que muitos adeptos o abandonaram por cansaço e outros, desejando consegui-lo precipitadamente, nunca tiveram êxito. Nos ensinos esotéricos dos alquimistas, a pedra filosofal tinha o mesmo sentido que a PALAVRA em Maçonaria”.

A paciência significa equilíbrio e o controle do dualismo, o freio para o instinto, o fruto da meditação, o caminho da sabedoria.

O Obreiro maçom, para desbastar a pedra bruta, burilá-la e poli-la, deve revestir-se de paciência.

A paciência conduz à perseverança, e essa à conquista do alvo planejado.

O maçom recém-admitido à Loja, para progredir, alcançar aumento de salário, buscar o Companheirismo e posteriormente o mestrado, deve plantar a sua conduta dentro da Loja com exemplar paciência.

Na verdade, o trabalho que requer o desbaste da Pedra Bruta para torná-la Pedra Polida é um trabalho de muita paciência. Este é um dos objetivos mais importantes da Maçonariua, senão o principal. No entanto, os impacientes e os que, na Maçonaria, apenas procuram interesses espúrios ou tolas vaidades não conseguem realizar este objetivo.

Tudo o que é destinado ao homem é alcançado; as precipitações, o afoitamento, a pressa, são meios conturbadores.

Para viver uma provecta vida para a aproximação aos 100 anos de idade é necessário calma, serenidade e paciência; chega-se lá se a vida for conduzida de forma saudável, isenta de vícios e perturbações.

A paciência é o caminho mais curto para alcançar-se a paz. Perdoar àqueles que conosco caminham para colocarem nossa paciência à prova é a caridade mais meritória.

Tenhamos à vista as afirmações de grandes pensadores do passado: “A paciência e o tempo dão mais resultado que a força e a raiva” (La Fontaine); “A paciencia torna mais suportável aquilo que não tem remédio” (Horácio); “Todo poder humano é construído de paciência e tempo” (H. Balzac); Tudo chega com o tempo, para quem sabe esperar. (Rabelais). Sejamos, pois, pacientes, essa palavra encerra tudo.

Que a Luz continue presente em nossas vidas e clareando todos os caminhos.

Valdemar Sansão – M.’.M.’.

quarta-feira, 27 de agosto de 2008

NADA

Conta-se que perguntaram a Pitágoras, após ter sido Iniciado nos mistérios, o que tinha visto, no Templo, tendo ele respondido simplesmente: NADA.

Porém, Pitágoras era Pitágoras. Se ao sair do Templo egípcio não tinha visto "nada", não se limitou a sair decepcionado, senão buscando a origem deste "nada", descobriu que era em si mesmo que não tinha visto "nada mais" que desejos e ilusões. Foi então que começou seu caminho para a sabedoria.

Muitos Irmãos recém-iniciados se afastam da Ordem porque em nossas Lojas não encontram "nada", porque o nosso simbolismo não lhes significa "nada", porque na Maçonaria não se faz "nada", outros se queixam que nas Lojas se fala muito de simbolismo e "nada"; que a Maçonaria é uma instituição para se fazer amigos e "nada mais"; que só comparecem aos trabalhos da Loja para perder tempo e "nada mais". Propomos perguntar-nos: o que significa esse "nada" com respeito à Maçonaria?
"Fulano" não vai mais à sua Loja porque "não encontrou nada...". E como é que não encontrou "nada"? Não encontrou o Templo com seu Altar, as Colunas, os móveis e a decoração? Não encontrou os Irmãos reunidos na Loja? E como é que diz que não encontrou "nada" e que o Simbolismo não lhe significa "nada"? Encontrou então pelo menos o Simbolismo... E como é que pode dizer na Maçonaria não se faz "nada" e que na Loja se fala muito e "nada" mais? Então, se faz algo, ainda que seja nada mais que falar...

Parece que o "nada" que se encontra na Maçonaria não deve ser tomado ao pé da letra.

O Neófito que entra no Templo encontra algo, porem não encontra o que busca; isto dá margem a várias perguntas:

1º O "que busca" o profano que solicita ser Iniciado?
2º O que a Maçonaria "não pode oferecer"?
3º O que a Maçonaria "pode oferecer"?
4º "O que encontra" o Neófito ao dizer que "não tem nada"?

Procuramos responder estas perguntas de um ponto de vista estritamente pessoal.

1º O "que busca" o profano que solicita ser iniciado?
Pode solicitar seu ingresso pôr vários motivos, desde o mais grosseiro materialismo, o desejo de encontrar protetores para seus negócios de qualquer espécie, até o motivo de mais elevado sentimento de humanitarismo. Em regra geral, é mistura de tudo, acrescido de curiosidade; e freqüentemente haverá um sentimento da própria imperfeição acrescido do desejo de melhorar-se e de aperfeiçoar-se. Não é raro também que se espere encontrar na Maçonaria um estímulo à ação para compensar a própria falta de atividade; idéias extraordinárias e originais que ponham em funcionamento o pensamento e a imaginação própria.

É um dos problemas da Maçonaria que, pelo segredo e discrição que devem guardar seus integrantes, o profano chega geralmente a nossas portas, desconhecendo realmente o que o espera, vindo em contrapartida cheio de esperanças e ilusões que vão do inadequado até o absurdo.

2º O que a Maçonaria "não poder oferecer"?
A Maçonaria não é feita à medida das ilusões do neófito.
Se este esperou uma renovação completa de sua personalidade pôr meio de um remédio amostra grátis e que se oferece a todo aquele que entra na Ordem, equivocou-se. Damo-lhes a Luz, as ferramentas para trabalhar, mostrando-lhes a Pedra Bruta e o modo de trabalhar nela. O resto é assunto do Neófito. Tem que trabalhar para receber o "seu salário" e este lhe é dado segundo a quantidade e a qualidade do seu trabalho. Não poderá exigir que se lhe dê tudo de uma vez sem fazer o menor esforço. Então acontece que o Neófito não acha o que buscava.

Ele buscava um meio cômodo para tornar sua vida mais fácil e agradável, para sentir-se importante sem esforço algum, para viver em paz consigo mesmo. E como não acha o que buscava, diz simplesmente: "Não encontrei nada". Com isto, expressa que tudo o mais que encontra não tem importância para ele; e que, aquilo que "não" encontra é o que ele queria e nada mais. Dizer que a Maçonaria não faz nada é outra maneira de revelar que se quer conseguir satisfações de amor próprio a baixo custo. Se na Maçonaria estivesse se cristalizando uma obra de autentico humanismo, poderíamos participar da glória de sua realização sem que tivéssemos o trabalho de planejar e organizar sua execução. Se a Maçonaria fosse aquilo que querem aqueles que se queixam de não encontrar nada nela, ela seria idêntica às sociedades múltiplas de beneficência e clubes de serviço. cujos principais objetivos parecem ser que seus membros apareçam na imprensa escrita e falada a qualquer pretexto. Todas estas satisfações de amor próprio, todas estas ilusões e esperanças vazias, é que a Maçonaria não oferece. Pôr isto é que, aqueles que buscam isto, não encontram "nada".

3º O que a Maçonaria "pode oferecer"?
Do ponto de vista das pessoas mencionadas anteriormente, "nada", pois para elas o trabalho, o estudo, não são nada, e se não tiverem a paciência necessária, se afastarão.
Quanto mais irreais, fantásticas forem suas esperanças, mais necessitarão para encontrar o que oferece a Maçonaria, e que é: trabalho, ferramentas para executá-lo, o "salário" que somente se obtém trabalhando. O Neófito tem que aprender que na Maçonaria não encontrará satisfação alguma senão em razão do seu próprio trabalho.

Através do seu aprendizado se dará conta de que se a maçonaria lhe der, sem sacrifício, as satisfações que estava procurando, então sim, poderá dizer "que não é nada". O que acontece é que o homem moderno tem do trabalho um conceito muito diferente que tinha as corporações de construtores da antigüidade. Para a maioria, hoje, o trabalho é escravidão, atividade mecânica, impessoal, algo que se faz porque tem que se viver e comer, e sem trabalho, não há comida; algo que se faz sem grande satisfação, esperando que o relógio marque a hora da saída. Dali então partimos para o descanso, a diversão, as comodidades. São poucos aos quais a sorte reservou um trabalho construtivo e menos ainda existem pessoas capazes de buscar e achar o descanso em uma atividade de tipo superior, uma atividade criadora. O construtor medieval não se preocupava em apressar o tempo para terminar a catedral, mas sim se detinha nos detalhes da construção, acrescentando uma grande variedades de enfeites e esculturas tão belas como indispensáveis para a arquitetura, simplesmente porque sentia o gosto de criar algo belo e bonito.

Nós já não compreendemos mais facilmente este prazer pelo trabalho, Queremos que o trabalho termine o mais depressa possível, para que possamos nos dedicar a outras atividades nas quais encontramos mais prazer.

Necessitamos voltar a descobrir a vocação artística do homem - a única que lhe dá plena satisfação - é de não servir unicamente de apêndice pensante da maquina, e sim de procurar realizar um trabalho criador.

4º "O que encontra" o Neófito ao dizer que "não tem nada"?
Bate à porta do Templo, se abre a mesma para ele e não encontra nada. O que é este "nada"?
Já dissemos, tomar a palavra em sentido estrito é um absurdo. Algo ele encontra e se nós o pressionarmos um pouco, ele nos dirá "Não há nada, somente palavras, somente Ritualística, somente Símbolos, somente idéias antiquadas". Algo portanto encontra, porem não "o que buscava". E como o que ele encontra não é nada em comparação com o que buscava, diz simplesmente que não há nada.

Porém, este "nada" não é somente um fenômeno negativo. Este "nada" e como um gérmen, algo novo e grande.

O Irmão que se afasta da Loja queixando-se de "não haver encontrado nada", não se limita somente a isto. Afasta-se desgostoso, decepcionado. O encontro com o "nada" o afetou no mais profundo do seu ser. Não achou o que buscava, porém achou precisamente seu próprio desgosto, sua própria decepção.

Ainda que se vá de nosso convívio, sua decepção o segue. E ainda que não o confesse, não deixará de pensar, de vez em quando, que, para encontrar algo, se necessitam duas coisas: algo que existe e alguém que saiba procurar. Ao lado do seu orgulho, porque ele "não se deixou enganar", estará a constante inquietude acerca do que terão encontrado os que ficaram e que ele não soube encontrar. Vê-se, assim, posto frente a frente, com sua própria insuficiência. Com seu próprio NADA.

Se for sincero consigo mesmo, reconhecerá que onde não encontrou nada, foi em si mesmo.

Este é o ponto onde começa a germinar a idéia Maçônica. Se o Irmão chegar a este ponto, começará a ser MAÇOM.


Fonte: Samaúma - Portal Maçônico
Autor desconhecido
ecomendado pelo Irm Néstor L. Hernández
Or Argentina
Gran Logia
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SIMBOLISMO - OS PILARES MAÇÔNICOS

Exímios escultores e hábeis arquitetos, os gregos legaram à Maçonaria Especulativa as três ordens arquitetônicas, utilizadas nos pilares, simbolizando a Sabedoria, a Força e a Beleza.


Este modesto trabalho, ora refeito em alguns pontos, foi apresentado em junho de 1986, na Loja Brasil II. Foi dedicado, "in memoriam", ao saudoso irmão Manoel Luiz da Costa, maçom de rara estirpe, que a todos os irmãos encantava pela sua candura, qualidade que o distinguia. Com a homenagem mantida, enviamos-lhe saudoso e tríplice fraternal abraço.


ORIGEM DO SIMBOLISMO. Simbolistas afirmam que, nos idos da Maçonaria Operativa, antes dos trabalhos maçônicos, geralmente em locais improvisados, os símbolos necessários à sessão eram desenhados precariamente no piso do local e, ao término da mesma, eram então, apagados. O painel da Loja teria surgido para evitar essa operação.

Era comum o uso de velas acesas sobre candelabros nos locais que representavam as três janelas, ou seja: uma a leste - Oriente, outra ao sul - Meio-dia e a terceira a oeste - Ocidente.

Plantageneta ** afirma que "elas representavam as três portas do Templo de Salomão...” Pequenos pilares situados ao lado dos altares dos três principais oficiais, com o tempo passaram a substituir esses candelabros.

Segundo os principais simbolistas, coube à Maçonaria anglo-saxônica miniaturizar os pilares laterais e posicioná-los sobre os altares do Venerável Mestre e dos Vigilantes.

Os antigos rituais ingleses do século XVIII ensinavam em suas páginas que a Loja era sustentada por três pilares. Um representava o Venerável Mestre ou o Rei Salomão, cuja sabedoria a todos os seus súditos encantava. Outro espelhava o Primeiro Vigilante ou Rei Hiram de Tiro, cujo Poder e Força possibilitaram a Salomão a construção do Templo. Outro, ainda, era associado ao Segundo Vigilante ou Hiram Abif, cuja habilidade em transformar o bruto em belo a todos maravilhava.

Exímios escultores e hábeis arquitetos, os gregos legaram à Maçonaria Especulativa as três ordens arquitetônicas, utilizadas nos pilares, simbolizando a Sabedoria, a Força e a Beleza.

A ordem jônica foi associada ao pilar do Venerável Mestre - Sabedoria: a dórica passou a representar o primeiro Vigilante - Forca; e a coríntia foi ligada ao pilar do Segundo Vigilante - Beleza.

As PARTES DE UM PILAR. Um pilar é dividido em três partes principais, a saber: a base, parte de contato com o solo, o fuste, parte que compõe o corpo do pilar, e o capitel, parte de sustentação da trave.

Leadbeater ensina: "Ao observar uma coluna, temos que considerar duas partes principais, a coluna propriamente dita e sobre ela o entablamento, que ajuda a suster o teto. (...) As partes do entablamento são a arquitrave, que sobressai do capitel; o friso, que é uma peça reta com adorno e a cornija, situada em cima do friso."

As ORDENS UTILIZADAS NA MIÇONARIA E SUAS LENDAS. É provável que quando o homem primitivo obrigou-se a suster um telhado para conseguir uma galeria, tenha ideado os pilares. Com troncos de madeira, no início, e posteriormente, talhados em rocha. A altura do pilar dórico corresponde a oito vezes ao seu diâmetro. Ele não tem base e o seu fuste é assentado diretamente ao solo sem pedestal. Seu contorno é circundado por 2O canelura, e seu capitel é formado de molduras, imitando uma taça.

A lenda conta que Doros, filho de Heleno, mediu o pé de um homem de estatura mediana, na época, e constatou ser essa medida correspondente a oito vezes a sua altura. Guiando-se por essa relação, ideou o pilar, dórico, robusto, forte e nobre, que foi associado ao primeiro Vigilante, por representar a força.

Pitágoras ensinou: "O homem é a medida de todas as coisas, dos seres vivos que existem e das não-entidades que não existem".

"Dado que o homem é a mais bela e a mais perfeita obra de Deus, - diz Cornelius Agrippa – e a Sua imagem é também o menor dos mundos ele, portanto, por uma composição mais perfeita, e uma harmonia doce, e uma dignidade mais sublime, contém e conserva em si todos os números, todas as medidas, todos os pesos, todos os movimentos, todos os elementos ( ... ) e Ele fez toda a estrutura do mundo ser proporcional ao corpo do homem ( ... ). "

Permick, referindo-se ao arquiteto Vitruvius, que viveu no primeiro século de nossa era, autor de Dez Livros de Arquitetura, diz: "( ... ) no corpo humano, Vitrúvio demonstra a harmonia simétrica que existe entre o antebraço, o pé, a palma, o dedo e outras partes menores. Compara essas partes às partes de um edifício, continuando a antiga tradição do Edifício Sagrado, visto em termos do corpo de um homem e, assim, em termos do microcosmo".

O PILAR JÔNICO. É igual a nove vezes ao seu diâmetro. O fuste é assentado sobre o pedestal vinte e quatro estrias, separadas por filetes (= bistéis) contornam o seu fuste. Em seu capitel apresentam-se duas volutas, dando ao pilar a elegância e a esbelteza de uma bela mulher.

A lenda fala que Íon, chefe grego, foi mandado à Ásia, onde construiu templos em Éfeso, dedicados a deuses gregos. Íon observou que as folhas de cortiça, colocadas sobre os pilares para evitar infiltração de água e amortecer o peso das traves, com o tempo, cedendo à pressão, contorciam-se em forma de volutas, imitando madeixas de mulher, peculiaridade essa que é a principal característica da Ordem Jônica.

O pilar Jônico foi associado ao Venerável Mestre, a Sabedoria.

O PILAR CORÍNTIO. Abriga formas belas, elegantes e proporções delicadas, lembrando uma bela donzela. A altura do Pilar Coríntio é igual a 10 vezes o seu diâmetro O fuste pode ser liso ou estriado. Quando é esculpido em granito ou em pórfiro, tem o fuste liso. Quando talhado em mármore é, estriado, podendo ter de 24 a 32 caneluras, desde que esse número de estrias seja passível de divisão por quatro.

A lenda fala que a ama levou uma cesta, contendo brinquedos à sepultura da criança e cobriu-a com uma velha telha, por causa das chuvas. Ao chegar a primavera, um pé de acanto germinou e cresceu, transformando-se em formosa árvore. Folhas de acanto, cesta e telha teriam produzido um belíssimo efeito ao crescer a planta. Essa cena teria sido magistralmente capitada pelo poeta e escultor Calímaco, que talhou um pilar de rara beleza, com o capitel copiado daquela cena.

A POSIÇÃO DOS PILARES. Como foi dito, os pilares correspondem às três principais dignidades da Loja. Segundo Ragon, "o nome dos três pilares, sustentáculos misteriosos de nossos templos, são Sabedoria (para inventar), Força (para dirigir) e Beleza (para adornar)".

A cada um dos três. Oswald Wirth estabelece os seguintes ternários: Pai Filho e Espírito Santo; Espírito Alma e Corpo; Ativo, Passivo, Neutro - e outros mais.

Boucher diz que esses três pilares estão relacionados com três emanações divinas, contidas na Sephirot da Kaballa. E diz: "( ... ) os três pilares visíveis do Quadrado Oblongo só podem ser Chochmah, Geburah e Chesed. O Quarto Pilar, que liga diretamente o Visível ao Invisível - Birrah - à Inteligência Suprema, estando isolado da matéria, existe, mas não se mostra a nossos olhos mortais. Por outro lado, a disposição desses três, pilares implica na existência virtual do quarto".

E arremata o mesmo autor: "Os quatro pilares constituem os limites do Quadrado Oblongo (do mundo ideal) sobre o qual - em princípio – nada deve caminhar, enquanto as duas colunas situadas no limite do piso, manifestam o antagonismo das forças do Mundo Criado".

Com a passagem da Maçonaria Operativa para a Especulativa (1717), esta projetou os objetivos da Ordem para o campo da especulação e da espiritualização.

O irmão Mackey é contundente: "A arte operativa (construção de edifícios materiais) já acabou para nós e, por isso, enquanto maçons especulativos, simbolizamos os trabalhos de um templo espiritual nos nossos corações, templo puro e sem mácula, digno de ser a morada d'Aquele que é o autor de toda pureza... Essa espiritualização do Templo de Salomão é a primeira de todas as instruções da franco-maçonaria, de todas a mais importante e a mais profunda".

Wirth diz: "O edifício espiritual da Maçonaria descansa sobre três colunas simbólicas chamadas Sabedoria, Força o Beleza". A Sabedoria concebe a construção, ordena o caos, cria e determina a realização. A Força executa o projeto, segundo instruções da Sabedoria.

Contudo, não basta ser a edificação bem projetada e bem executada. É preciso ser bem adornada pela Beleza.

Quando o Venerável Mestre dá início aos trabalhos e o segundo Vigilante abate o seu pilar, enquanto o primeiro Vigilante ergue o seu, os obreiros passam a celebrar os trabalhos em nome de um Templo Interno (consciência do homem), não de um edifício material. Porque o homem, criado à imagem e semelhança do GADU, há de ascender rumo a Ele. E para isso, diferentemente dos demais seres, anseia evoluir.

E se os três pilares simbolizam as qualidades da Loja material, conhecer o quarto pilar é tarefa dos maçons que aspiram à aproximação com o GADU, que concebe Suas obras, valendo-se de Sua infinita Sabedoria, de Sua Força que é onipotente e de Sua Beleza, que resplandece na simetria e na ordem de toda Sua criação.

Fonte: Samaúma - Portal Maçônico
Irmão José Dalton Gerotti
Loja Alpha, 292
Marília-SP.
Da Revista A Verdade – Maio e Junho de 1996

terça-feira, 19 de agosto de 2008

20 DE AGOSTO! FELIZ DIA DO MAÇOM!!!



Que gente é essa ???

É gente de conteúdo interno que transcende a compreensão medíocre, simplória.
É gente que tem idealismo na alma e no coração, que traz nos olhos a luz do amanhecer e a serenidade do ocaso. Tem os dois pés no chão da realidade.
É gente que ri, chora, se emociona com uma simples carta, um telefonema, uma canção suave, um bom filme, um bom livro, um gesto de carinho, um abraço, um afago.

É gente que ama e curte saudades, gosta de amigos, cultiva flores, ama os animais. Admira paisagens. Escuta o som dos ventos.


É gente que tem tempo para sorrir bondade, semear perdão, repartir ternura, compartilhar vivências e dar espaço para as emoções dentro de si. É gente que gosta de fazer as coisas que gosta, sem fugir de compromissos difíceis e inadiáveis, por mais desgastantes que sejam.


Gente que semeia, colhe, orienta, se entende, aconselha, busca a verdade e quer sempre aprender, mesmo que seja de uma criança, de um pobre, de um analfabeto.


É gente muito estranha os Maçons.


Gente de coração desarmado, sem ódio, sem preconceitos baratos ou picuinhas. Gente que fala com plantas e bichos. Dança na chuva e alegra-se com o sol.


Eh!! Gente estranha esses Maçons.


Falam de amor com os olhos iluminados como par de lua cheia. Gente que erra e reconhece. Gente que ao cair, se levanta, com a mesma energia das grandes marés, que vão e voltam. Apanha e assimila os golpes, tirando lições dos erros e fazendo redentores suas lágrimas e sofrimentos. Amam como missão sagrada e distribuem amor com a mesma serenidade que distribuem pão. Coragem é sinônimo de vida, seguem em busca dos seus sonhos, independente das agruras do caminho.


Essa gente, vê o passado como referencial , o presente como luz e o futuro como meta.


São estranhos os Maçons!


Cultuam e estudam as Sagradas Tradições como forma de perpetuar as leis que regem o Universo, passam de geração para geração a fonte renovadora da sabedoria milenar. São fortes e valentes, e ao mesmo tempo humildes e serenos.

Com a mesma habilidade que manuseiam livros codificados de sabedoria, o fazem com panelas e artefatos. São aventureiros e ao mesmo tempo criam raízes, inventam o que precisa ser inventado. Criam e recriam. Contam contos e contam suas próprias histórias.

Falam de generosidade em exercício constante. Ajudam os necessitados com sigilo e discrição. Conduzem a pratica desinteressada e oculta da caridade e do amor ao próximo.


Interessante essa gente, esses Maçons.


Obrigam-se nas tarefas, de estudar a Arte Real, de evoluir, de amar e dividir.
Partilham da mesa do rei e de um abrigo montanhês com o mesmo sorriso enigmático de prazer e sabedoria que iluminava a face de seus ancestrais.
Degustam um pão artesanal, com a mesma satisfação que o fazem em um banquete cinco estrelas.


Amam em esteiras e em grandes suítes, desde que estejam felizes, pois ser feliz e levar felicidade, é sempre a única condição dessa gente estranha.
É gente que compra briga pela criança abandonada, pelo velho carente pelo homem miserável, pela falta de respeito humano.
É gente que fica horas olhando as estrelas, tentando decifrar seus mistérios, e sempre conseguem.

Agradecem pelas oportunidades que a vida lhes dá. Aliás, essa gente estranha agradece por tudo, até pela dor, que tratam como experiência.
Se reúnem em Escolas Iniciáticas que chamam de Lojas, para mutuamente se bastarem, se protegerem, se resguardarem, para resgatar valores, e estudar muito.


Interessantes são os Maçons.


Mas interessante mesmo é a fé que os mantém vivificados ao longo de tantos anos.


Abençoada essa estranha gente.


É dessa estranha gente, que o Grande Arquiteto dos Universos precisa para o terceiro milênio.


É à essa estranha gente, de que sou parte, que desejo DE TODO MEU CORAÇÃO, as mais ardorosas congratulações.


Que o Irmão Maior, de lá do Eterno Cosmo à todos derrame uma dose extraordinária de Luz, para que essa estranha gente de que fazemos parte, a possa refletir pelo mundo e assim levar a benção à todas as gentes... estranhas ou não.

FELIZ DIA DO MAÇOM!

FRATERNALMENTE,

Ir.'. Luiz Mangano

20 DE AGOSTO, O DIA NACIONAL DO MAÇOM!

Poema a um irmão maçom

Caro Irmão Maçom

Quero te saudar na simbologia
Do compasso entrelaçado por um esquadro
Fulgurado no centro pela invencível estrela flamejante.
De principio, agradeço ao Grande Arquiteto do Universo
Por ter-nos criado Justos, perfeitos e Iguais.
Somos filhos de uma mesma mãe: fecunda, Generosa, Bondosa.
Viemos, como reis magos do ocidenteE dirigimo-nos para o Oriente em busca de um mestre
Que queira instruir-nos.Este mestre deve ser sábio para ensinar-nos a ser livres,Virtuosos, praticante dos bons costumes.
Chegando ao oriente saudaremos e felicitaremos
Nossos irmãos, incumbência a nós confiada e externaremos
Nossa pretensão de vencer nossas paixões.
Alcançando novos progressos na arte real
Colocaremo-nos a disposição de nossos irmãos, para provar
Por nossas iniciações e outras circunstancias conforme nosso
Grau e segundo rigoroso exame que nos for exigido.
E rogo ao G.A.D.U. que continues sendo incansável obreiro
No trabalho pelo bem da humanidade.
Um trip.'. frat.'. abraço
Ir.'. Henrique Jorge (Eremita)
M.'.I.'. - FRC

segunda-feira, 18 de agosto de 2008

A INICIAÇÃO MAÇÔNICA

Uma Iniciação sempre traduz uma expectativa porque é um princípio, e todo começo importa em fato novo.
Em Maçonaria a Iniciação é a chave, o ponto de partida, precedida, tão somente, pelos atos preparatórios...
O vocábulo Iniciação não se apresenta isolado; deva-se entender a palavra sob o aspecto filosófico, portanto ela é compreendida como sendo entrar em iniciação ou seja, ingressar num início.
Uma iniciação não é um ato comum e tampouco exclusivo da Maçonaria ou de outra Instituição paralela. A criança é iniciada na escola quando ingressa no complexo (para ela) mundo das letras e dos números, da escrita e da oralidade. A puberdade envolve uma iniciação ao sexo; a maioridade, a iniciação à vista.
A evolução normal dos povos civilizados apresenta uma tendência para a simplificação. A iniciação maçônica de hoje difere muito da dos tempos iniciais, como acontece com os processos miciáticos religiosos. O homem atual desenvolveu o poder da síntese, deixando de lado as evoluções desnecessárias. Questiona-se muito a respeito da validade ou não deste comportamento que, atingindo a Igreja, lhe causou certos transtornos.
O fator que mantém as tradições e que apresenta a iniciação maçônica como tradição do que era em séculos passados, é o símbolo. A supressão de certos atos, com a justificativa de modernizá-los, de simplificá-los, de adaptá-los às circunstâncias da atualidade, vem ferir a validade do símbolo. A Maçonaria atual, modernizada, não abre mão de certos atos simbólicos porque eles representam de modo compreensível todo um conjunto de mistérios.
A revelação não supre o valor do símbolo. O mistério permanece e cada vez mais ele pode ser fortalecido e também ampliado, renovado e recriado. A mística é a grande atração para os maçons. Eles aceitam e mantêm a tradição.
Paralelamente à iniciação, o iniciado deixa ou adquire hábitos, jura e promete novas atitudes, novos comportamentos, nova filosofia de vida. Podemos exemplificar com a iniciação do sacerdote da Igreja que faz voto de celibato. Os Templários faziam voto de pobreza.
Se fôssemos verificar a respeito das variações iniciáticas entre os povos, religiões, raças e posições geográficas, nos perderíamos em um emaranhado de conceitos, válidos todos eles quando questionados e quando recebida a justificativa.
A criação do homem, embora lendária, foi uma iniciação. Juntado o pó com a água, feito o barro, concluída a modelagem, veio o sopro divino e, ainda que surgindo adulto, o primeiro homem símbolo teve um longo aprendizado. A sua posição era cômoda porque nada tinha para deixar atrás ou de lado. Tudo era princípio.
Houve, sim, um voto. Apenas um: o de não comer dos frutos da Árvore do Conhecimento.
Não temos qualquer preocupação em duvidar desse princípio da criação. Mesmo que tenha sido uma tradição simbólica, início da saga hebraica, ele representa um ponto de partida. Se, antes, já existia o ser humano - os denominados "filhos da terra" - desses não temos a história. Iremos nos defrontar com teorias, as mais credenciadas, mas não poderemos sobre essas teorias construir nossa filosofia. A Maçonaria acredita num princípio e aceita a tese hebraica, porque obedece aos Landmarks, que são os 25 princípios básicos de sua doutrina. A importância de estabelecer critérios analíticos em torno desse princípio não é vital. O posicionamento maçônico atual é o de crer e aceitar a existência de um Deus a quem denomina de Grande Arquiteto do Universo e da existência de uma vida após a morte.
Portanto, iniciação implica em aceitarmos um novo princípio. com todas as injunções que o compõem, inclusive com abrir mão de tudo o que era antes da iniciação.
Esta secção, separando o passado do presente, não é possível ocorrer no plano físico.
O iniciado, ao deixar o Templo, ao retornar ao "mundo", esquece a sua nova condição e readquire o comportamento que tinha, isto paulatinamente, porque a "natureza não dá saltos". O mundo então o recebe como ser mais aperfeiçoado. Toda iniciacão se desenvolve no plano mental, espiritual e místico.
Muitos tendem a dar à Maçonaria um aspecto religioso e assim, dentro das Lojas, formam-se correntes as mais diversas. O religioso, de forma geral, tende a adaptar a Maçonaria aos seus princípios; assim, sob o ponto de vista espírita, o maçom espírita praticante construirá em sua iniciação um panorama que não conflitue com sua crença. Porém, sem afirmar que a Maçonaria é agnóstica, a religião, embora extremamente necessária, não está incluída na filosofia maçônica. Crer em Deus e numa vida futura não implica em qualquer princípio religioso. A religião fundamenta-se sempre, na fé. A Maçonaria prescinde desta fé. O maçom religioso será, sempre, um maçom compreensivo, embora os seus conhecimentos religiosos possam frear a sua caminhada para o alto.
O religioso crê no dualismo: Deus e Diabo. A Maçonaria aceita a Deus como um Princípio, sem a preocupação de perquirir sobre a origem deste Princípio, O homem, é criatura; o Criador é Deus. O homem é eterno; a Eternidade é Deus.
Temos, portanto, na iniciação um aspecto curioso: trata-se de uma Iniciação Maçônica e não de uma iniciação religiosa. Uma iniciação escolhida, aceita, experimental, e não uma iniciação imposta. A religião pode ser seleção, mas genericamente é imposta.
Nossos pais, por exemplo, nos impõem um nome que devemos suportar até a morte. Paralelamente, nossos pais nos dirigem para uma religião: a religião deles. Na maturidade, o homem pode escolher o seu próprio destino religioso, porém, a influência do lar será a base de tudo. A Maçonaria tem a faculdade de reconduzir o descrente para a sua crença inicial.
A Maçonaria aproxima o seu adepto a Deus. Ela o apresenta como uma obra perfeitamente construída, adornada e acabada por um Grande Arquiteto. O mistério se denomina, também, Deus. Para a Maçonaria o Diabo nada é; ela aceita o dualismo como equilíbrio de forças. O Diabo será apenas oposição, descrença, desamor.
O homem passa constantemente por iniciações. Nem sempre, são iniciações conscientes.
A Iniciação Maçônica, como vimos, é formada por um conjunto de fatores. Inicialmente individual, para posteriormente integrar-se a um grupo.
As iniciações inconscientes resultam de uma evolução espiritual; o que se processa no homem, dentro de seu universo, ainda não está muito bem definido, mas existe. E a materialização do "conhece-te a ti mesmo", da revelação do grande mistério da Criação. Homem, quem és?
A Maçonaria dá muitas respostas, mas se torna necessário que o candidato passe, efetivamente, por uma Iniciação. A Maçonaria precisa com muita urgência, para sobreviver, de iniciados, e não de elementos que passam por uma iniciação sem que a morte se efetive. Para uma comparação, com a finalidade de que haja compreensão maior, foi necessário para Jesus que morresse para cumprir a sua missão de redimir o homem. Sem uma morte, não haverá iniciação.
... Portanto, em resumo, a Iniciação nada mais é do que a aceitação da morte. Assim, esta morte perde o seu aspecto trágico.
Quando o homem se convencer de que a morte é redenção e não castigo, não a temerá; a receberá como Iniciação para uma nova aventura. Todos aqueles que tiverem um amigo maçom e que forem propostos como candidatos ao ingresso na Maçonaria, terão uma oportunidade única e exclusiva. Sempre, contudo, que o candidato busque entender a Iniciação.
Nos Estados Unidos, onde a Maçonaria é levada a sério, as Lojas distribuem aos candidatos um manual que serve de orientação. Nós, brasileiros ainda temos tabu quanto ao ingresso na Ordem. O candidato, já adentrando a Câmara das Reflexões, ainda ignora o que seja a iniciação. Esta falha é imperdoável.
Cabe ao apresentador, ao padrinho esclarecer seu afilhado acerca do que seja a iniciação maçônica. Obviamente se esse mestre souber realmente da importância deste conhecimento.O homem em núpcias prepara-se para a iniciação do casamento, tendo já passado por um período de noivado. O casamento indubitavelmente, é uma das fases mais importantes tanto para c homem quanto para a mulher. Trata-se de uma iniciação séria que cada vez menos é assim considerada, pois assistimos a desfazimentos de casamento por motivos os mais fúteis possíveis.
O importante da iniciação do casamento é que se apresenta contínua. Cada dia que passa surgem problemas que devem ser solucionados, e isto perdura até o fim; não o fim de um casamento mas o da vida.
Passado o período de "mel", surgem os filhos e a grande problemática do amadurecimento, o encaminhamento dos filhos para a vida, as questões que.eles geram, as preocupações. Depois, vem os netos, as enfermidades, a velhice. Muitas vezes o casamento se interrompe com a morte da companheira, afastamento permanente que causa traumas. Mesmo havendo separação, prematura ou não, as funções geradas pelo casamento não cessam; em caso de separação judicial, subsiste a manutenção do outro cônjuge, dos filhos menores e desamparados: uma continuidade trágica, perturbadora, que traz, sempre, infelicidade.
Assim é o maçom. A sua iniciação não apresenta um ponto estanque; é contínua e permanente, porque a cada dia que passa novas experiências surgem. Até o fim, o fim da vida, o maçom prossegue nos atos misteriosos e místicos da iniciação. O maçom é para sempre, in eterno.
Temos a iniciação profissional. No início entusiasta, depois rotineira. Conforme a profissão, ela se apresenta insossa, repetitiva, um castigo, tudo sempre igual: um patrão. uma tarefa, sempre em busca da aposentadoria. Há profissões, porém, que exigem progresso, atividade constante, e que dão grande satisfação; como acontece nas pesquisas científicas. A Maçonaria também possui essa parte: a grande busca, a experiência, o próximo como elemento de trabalho operativo. Essas iniciações são simultâneas: religiosas, espiritualistas, científicas, operacionais, místicas, enfim, um corolário de princípios que não cessa prossegue até o fim da vida, desta vida.
Não podemos fixar uma norma a respeito da iniciação; a Maçonaria dispõe de tradição para realizar iniciações formalmente iguais, revestidas de simbolismo escolar. No entanto, nem a Maçonaria, nem as religiões, nem a própria vida, iniciam alguém. A iniciação é mística individual, pois ela se realiza dentro do indivíduo. Se obedece a ritos rígidos, esses são externos, daí que a cerimônia iniciática se reveste de características fixas, enquanto a cerimônia mística envolve a personalidade do iniciando e difere de indivíduo para indivíduo. Com isto, surge a incógnita da possibilidade ou não de encararmos uma iniciação rotulada de atualizada ou moderna.
A iniciação, seja qual for, será sempre paralela ao desenvolvimento espiritual do indivíduo. Uma obra clássica não significa antiga, de séculos passados. O clássico pode ser moderno e atual; o que classifica é o lugar que encontra na sociedade. Assim, podemos fixar uma iniciação clássica como a aceita por uma maioria. Sempre, porém, ela será atual no conceito do iniciando e não no conceito do iniciador.
A instrução era feita, há cinqüenta anos atrás, de conformidade com os métodos tradicionais; primeiramente, a alfabetização, para depois, ano após ano, num trabalho de paciência beneditina, incutir na mente do aluno o conhecimento previamente programado, numa escala crescente para desenvolver o raciocínio até atingir a universidade, onde a personalidade do mestre passava a plasmar a cultura.Hoje, a televisão se encarrega de tudo. Amanha, quem sabe, a telepatia dará a orientação precisa e correta.
Portanto, quando se cogita de entender o que seja uma iniciação, deve-se atentar a todas as suas nuances e facetas, para, depois, colher os resultados. Ë por este motivo que sempre alertamos: o iniciado não é o que passa por uma iniciação, mas o que inicia.
O segredo, o grande segredo maçônico é o comportamento do iniciando na Câmara das Reflexões, tão conhecida pelos maçons e de certo modo um assunto esotérico, ainda particular, de vendado de forma muito discreta numa linguagem apropriada compreensão dos maçons, daqueles verdadeiramente iniciados.
O candidato, concluída a sindicância e aprovado pelo plenário, sem voto divergente, é chamado. Esta chamada contém muito misticismo. Dissera Jesus ao discípulo: "vem e segue-me". O candidato, nesta altura já avisado de que a sua entrada para a Maçonaria foi aceita, responde a chamada. Ë muito importante ser chamado.
Na competição atual, o homem busca alcançar um espaço; ele desbrava caminhos, luta e nem sempre vence.
Porém, na Maçonaria, quando menos espera, recebe o chamado, transmitido pelo seu apresentador, seu padrinho. Esse chamado deve ser atendido? O que passa pela mente do candidato? O atender o chamado significa um ato de obediência. A obediência de modo geral, significa submissão, ou seja, uma concordância tácita de que tem disposição para ingressar em uma Instituição que desconhece. O enigma deve ser decifrado e o homem, por ser desafiante, ousado, impetuoso, passa a enfrentar o desconhecido. Ignora o nome dos participantes da Instituição onde anuiu ingressar, ignora a filosofia do grupo, os conceitos, a parte esotérica. Porém, aceita e acompanha o padrinho até o Templo.
Atender ao chamamento é o resultado do trabalho de preparação que aludimos acima. Toda Loja, toda jurisdição maçônica trabalhou com muito interesse para atrair o novo irmão que irá beneficiar com a sua personalidade e presença a fraternidade universal. É o retorno, o eco das vibrações enviadas através da mente, da voz, das práticas, do misticismo, do mistério. Se o chamamento for bem equacionado, se as vibrações emanadas tiverem sido bem distribuídas, indubitavelmente atingiram em cheio o candidato e ele não poderá, de modo algum, negar o chamamento.
Não será ele quem decide. A congregação é que decidiu recebê-lo. E a fatalidade da preparação a que ninguém escapa, a atração irresistível em busca, inconsciente, da perfeição. Assim, o candidato se entrega totalmente â iniciação. Aqui cesa. a participação individual para dar lugar à participação do grupo.
Fonte: Samaúma - Portal Maçônico
Texto do Ir.'. Rizzardo a Camino

segunda-feira, 11 de agosto de 2008

OS 33 GRAUS DO REAA


1º - Aprendiz - Avental de pele branca com a abeta (ou babadouro) levantada. Simbolicamente, o aprendiz é representado em mangas de camisa e com esta aberta no peito, numa alusão ao seu traje durante as provas de iniciação, em que se deve apresentar com peito nu, o joelho descoberto e o pé esquerdo descalço.

2º - Companheiro - Avental de pele branca com a abeta voltada para baixo. O companheiro já é representado em traje civil completo, segundo a moda da época.

3º - Mestre - Avental branco forrado e debruado de vermelho; no meio do avental estão pintadas ou bordadas a vermelho as letras "M.·. B.·.". Ao pescoço, fita azul de cerca de 10cm de largura ("quatro polegadas"), tendo, na sua extremidade inferior, uma roseta vermelha; pendente acha-se a jóia, que consiste num esquadro e num compasso, este aberto num ângulo de 45 graus. Estas insígnias, que se mantiveram essencialmente até hoje na Maçonaria portuguesa, conhecem, todavia, na atualidade, uma ligeira alteração, s., a substituição da fita por uma banda azul debruada de vermelho, que se usa a tiracolo da direita para a esquerda.
Passe Mestre - Insígnias semelhantes às de "Mestre"; no avental pinta-se ou borda-se a ouro um círculo, em cujo campo estão as duas colunas "B.·." e "J.·." dos templos maçônicos e, no meio, um pentagrama ou estrela flamejante de cinco pontas com um iod hebraico no centro; em volta da circunferência, servindo de orla, estão as letras "H.·. T.·. S.·. T.·. K.·. S.·.".


4º - Mestre Secreto - Avental branco preso por fitas (ou cordões) pretas; no meio do avental, dois ramos cruzados, um de loureiro e o outro de oliveira, com a letra "Z" no centro; abeta azul com um olho pintado ou bordado a ouro. Ao pescoço, fita azul debruada de preto, tendo pendente a jóia, que é uma chave de marfim, igualmente com um "Z" inscrito.


5º - Mestre Perfeito - Avental branco com abeta verde; no meio do avental há três circunferências concêntricas tendo no centro da menor um cubo com a letra "J" na face principal. Ao pescoço, fita verde de onde pende a jóia, que é um compasso aberto a 60 graus sobre um segmento de círculo graduado.



6º - Secretário Íntimo ou Mestre por Curiosidade - Avental branco debruado de vermelho, tendo na abeta um triângulo, pintado ou bordado a ouro, com três pontos (.·.). Ao pescoço, fita carmesim de que pende a jóia, que é formada por três triângulos entrelaçados.

7º - Preboste e Juiz - Avental branco bordado de vermelho na orla e ao longo da abeta onde se acha, pintada ou bordada, uma chave de ouro; no meio do avental existe uma algibeira debruada de vermelho com uma roseta também vermelha. Ao pescoço, fita carmesim, tendo pendente a jóia, que é outra chave de ouro.



8º - Intendente dos Edifícios - Avental branco debruado de vermelho e bordado, na orla, a verde; no centro, a vermelho, uma estrela de nove pontas e, por baixo, uma balança a ouro; na abeta, um triângulo branco debruado de verde tendo inscritas, na mesma cor, as letras "B.·. A.·. J.·.". Banda carmesim posta a tiracolo, da direita para a esquerda, de que pende a jóia, consistindo num triângulo de outro com inscrições alusivas ao grau.


9º - Mestre Eleito dos Nove - Avental branco debruado de preto tendo, no centro, bordado ou pintado, um braço segurando um punhal no ato de ferir; abeta, debruada também de preto. Banda preta, posta a tiracolo, da esquerda para a direita, tendo semeadas nove rosetas vermelhas, de forma a que se vejam quatro na face dianteira e outras quatro na traseira; como jóia, um punhal de ouro com lâmina de prata, que pende da nona roseta, situada na parte inferior da banda.


10º - Ilustre Eleito dos Quinze - Avental branco debruado de preto, tendo, no meio, uma vista simbólica da cidade de Jerusalém com três portas e, frente a cada uma delas, espetada num poste, uma cabeça; abeta debruada também de preto. Banda preta a tiracolo, da esquerda para a direita, com três cabeças pintadas ou desenhadas na parte da frente; do extremo inferior da banda pende a jóia, que é um punhal de ouro com cabo de prata. Segundo os rituais do século XX, a banda ostenta, além das três cabeças, nove rosetas vermelhas e doze lágrimas de prata.11º - Sublime Cavaleiro Eleito - Avental branco debruado de preto, com orla decorativa também a preto; no meio, uma algibeira tendo pintada ou bordada uma cruz vermelha; abeta debruada e orlada de preto. Banda preta, colocada a tiracolo, da esquerda para a direita, tendo bordada a prata a divisa "VICERE AUT MORI"; a jóia, pendente da extremidade inferior da banda é um punhal de ouro com lâmina de prata. Nos rituais do século XX permite-se a substituição da divisa por "três corações inflamados", bordados.


12º - Grande Mestre Arquiteto - Avental branco, debruado e orlado de azul, com uma algibeira ao meio, também orlada da mesma cor, abeta debruada de azul. Banda azul a tiracolo, da direita para a esquerda; tem suspensa, na sua extremidade inferior, a jóia, que é uma chapa quadrada com inscrições alusivas ao grau.



13º - Real Arco - Banda escarlate, da direita para a esquerda, de cuja extremidade inferior pende a jóia, um triângulo ou uma medalha de ouro com inscrições alusivas ao grau. Nos rituais do século XX usa-se, além da banda - convertida em fita posta ao pescoço - , um avental branco orlado de escarlate


14º - Grande Escocês - Avental branco, debruado de carmesim e orlado com um folho da mesma cor; no meio, está pintada ou bordada, também a carmesim, uma pedra quadrada com um anel ao centro. Fita de igual cor ao pescoço, tendo pendente a jóia que é um compasso de ouro aberto em cima de um quarto de círculo. Nos rituais do século XX, o avental é orlado com um folho azul, em vez de carmesim.


15º - Cavaleiro do Oriente ou da Espada - Avental branco, debruado de verde; no meio, acham-se bordados três cepos de carvalho formando um triângulo, no centro do qual estão inscritas as iniciais "L.·. D.·. P.·."; na abeta, pintada ou bordada, vê uma cabeça ensangüentada entre duas espadas cruzadas. Banda verde-mar a tiracolo, da direita para a esquerda, tendo bordados ossos, membros, cabeças, espadas inteiras e espadas partidas, bem como uma ponte com as iniciais acima referidas; da banda pende a jóia, que é uma pequena espada. Nos rituais do século XX, o triângulo de cepos de carvalho é substituído por três triângulos entrelaçados, sendo os lados formados por pequenos triângulos.
16º - Príncipe de Jerusalém - Avental vermelho debruado de amarelo claro; facultativamente, pode pintar-se no meio uma imagem do templo de Salomão, ladeado por: um esquadro, um compasso, um escudo, um delta flamejante e o braço da justiça. Ao pescoço, escapulário azul debruado de amarelo e bordado a ouro, com uma balança, o braço da justiça, um punhal, cinco estrelas e duas coroas; dele pende a jóia, que é uma medalha de ouro tendo gravadas, no anverso, uma mão sustentando uma balança e, no reverso, uma espada de dois gumes e cinco estrelas. Luvas vermelhas. Nos rituais modernos, tal como no texto do ritual de 1841-42, a cor do escapulário é avermelhada ("cor de aurora"), em vez de azul.


17º - Cavaleiro do Oriente e do Ocidente - Avental amarelo debruado de vermelho. Banda branca, a tiracolo, da direita para a esquerda. Ao pescoço, fita preta tendo pendente a jóia, um heptágono parcialmente de ouro e parcialmente de prata ou de madrepérola, com inscrições alusivas ao grau.


18º - Soberano Príncipe Rosa-Cruz - Avental amarelo debruado de escarlate, tendo ao meio três círculos e três quadrados concêntricos, com três triângulos também concêntricos inscritos no círculo menor; na abeta, borda-se um "J" a ouro (embora na gravura pareça vermelho). Ao pescoço, fita metade verde (a da direita), liga escarlate com a legenda "VIRTUDE E SILÊNCIO". As insígnias modernas são bastante diferentes destas, baseando-se essencialmente a sua simbologia no pelicano alimentando os sete filhos com a carne do peito e na cruz com a rosa mística.


19º - Grande Pontífice - Banda carmesim orlada de branco, posta a tiracolo, da direita para a esquerda; bordadas, doze estrelas de ouro, bem como as palavras "Alpha" à frente e "Omega" atrás. Da banda pende a jóia, em forma de quadrado, tendo gravadas letras alusivas ao grau. Toga branca e fita azul com doze estrelas de ouro cingindo a testa. Nos rituais modernos, a toga e a fita da cabeça estão omitidas, surgindo, em compensação, um avental branco com decorações alusivas ao grau.


20º - Venerável Mestre de todas as Lojas - Avental azul orlado de amarelo, com abeta amarela; pintado ou bordado a ouro, no meio, um triângulo com a letra "R" inscrita; da fita que ata o avental pendem dois cordões amarelos franjados. Escapulário azul e amarelo estando, na parte da frente, o azul em cima e o amarelo em baixo e, na parte de trás, o amarelo em cima e o azul em baixo. A jóia, que pende do escapulário, é um triângulo de ouro com a letra "R".


21º - Cavaleiro Prussiano ou Noaquista (também grafado "Noaquita") - Avental amarelo. Banda preta, posta a tiracolo, da direita para a esquerda, tendo pendente, da extremidade inferior, a jóia, que é um triângulo eqüilátero de ouro atravessado por uma flecha com a ponta virada para baixo. Luvas amarelas.


22º - Real machado - Avental de pele branca, debruado de vermelho e atado com fita vermelha; pintadas, uma mesa redonda com desenhos e plantas de edifícios em cima, tendo por baixo três figuras, uma derrubando uma árvore, outra cortando os ramos da árvore derrubada, e a terceira afeiçoando a madeira; na abeta, um olho bordado a ouro. Ao pescoço, fita larga cor de fogo, tendo pendente a jóia, que é um machado de ouro com cabo terminado em borma de coroa e, gravadas, letras alusivas ao grau. Nos rituais modernos, omitem-se as três figuras do avental e muda-se para as cores do arco-íris a cor da fita.

23º - Chefe do Tabernáculo - Faixa escarlate à cintura, com franja de ouro pendente do lado direito. A jóia, pendente da faixa, é um turíbulo suspenso por roseta preta. Toga branca. Nos rituais modernos, acrescentam-se um avental escarlate, orlado de amarelo e uma fita da mesma cor, ao pescoço.


24º - Príncipe do Tabernáculo - Avental branco debruado de cor de fogo, tendo no meio uma esfera de ouro. Banda da mesma cor com a esfera ao meio, posta a tiracolo, da direita para a esquerda. Facultativamente, usa-se uma toga azul semeada de estrelas de ouro, com gola guarnecida de "raios de garça de ouro de maneira que formem uma espécie de resplendor por detrás da cabeça". Fita azul com estrelas de ouro cingindo a testa. Nos rituais modernos surgem variantes: escarlate em vez de cor de fogo; fita ao pescoço em vez de banda; triângulo luminoso em vez de esfera; murça azul e manto cor de ouro.


25º - Cavaleiro da Serpente de Bronze - Fita vermelha ao pescoço, com a divisa "VIRTUDE E CORAGEM"; pendente da sua extremidade, a jóia, que é uma serpente enroscada numa vara terminando em "T". Nos rituais modernos, acrescenta-se um avental brando, orlado de escarlate.
26º - Príncipe da Mercê (também grafado "Merci" ou "Mercy") - Avental escarlate, no meio do qual está pintado um triângulo, metade verde e metade branco. Ao pescoço, fita tricolor, vermelha, branca e verde, em faixas paralelas, estando o verde em baixo; dela pende a jóia, que é um triângulo eqüilátero de ouro.



27º - Grande Comendador do Templo - Avental vermelho forrado e debruado de preto; no meio, tem, a preto, uma cruz tectônica rodeada por uma coroa de louro; na abeta, e na mesma cor, uma chave. Ao pescoço, fita branca com risca vermelha perto de cada borda, semeada de cruzes duplas vermelhas; dela pende a jóia, um triângulo eqüilátero de ouro. Nos rituais modernos, como aliás na própria descrição escrita de 1841-42, a cruz do avental coloca-se na abeta, juntamente com a chave; há ainda outras variantes, de menos importância.


28º - Cavaleiro do Sol - Avental de pele "parda", debruado de preto. Ao pescoço, fira de moirée branco, tendo na ponta, bordado ou pintado, um olho a ouro; a jóia, pendente da fita, é um triângulo radiante de ouro, com um olho no meio. Túnica curta azul celeste. Barrete de seda azul, bordado a ouro, ou fita amarela cingindo a testa. Nos rituais modernos suprime-se o avental.

29º - Grande Escocês de Santo André - Banda de moirée carmesim, posta a tiracolo, da esquerda para a direita; dela pende a jóia alusiva ao grua. Toga vermelha com cinta de seda branca, franjada a ouro. Nos rituais modernos há variantes; acrescenta-se um avental branco orlado de verde com franjas de ouro, permite-se a substituição da banda por uma fita ao pescoço e conhecem-se dois tipos de jóia, consoante se use banda ou fita.



30º - Grande Eleito Cavaleiro Kadosch (também grafado "Kadosh" e "Kadesh") - Avental branco debruado de vermelho com a cruz teutônica no centro. Banda preta, orlada de prata, posta a tiracolo da esquerda para a direita, tendo bordados, a ouro uma cruz teutônica e duas espadas entrelaçadas, e a prata uma águia bicéfala (com coroa e segurando uma espada, ambas a ouro), as iniciais "C.·. K.·. S.·." e uma caveira com dois ossos entrecruzados; laço e franja de prata na extremidade inferior; desta pende também a jóia, que é um punhal de prata com cabo de ouro. Cinta vermelha. Usa-se igualmente, em alternativa às anteriores insígnias, uma túnica branca aberta dos dois lados, debruada de preto; no peito e nas costas, leva uma grande cruz teutônica, a vermelho. Cinta preta franjada de prata, de que pende a jóia, um punhal com cabo de marfim e ébano. Chapéu com abas abatidas, tendo na frente um sol com raios de ouro e fundo de prata, no meio do qual se acha um pequeno olho; aos lados do sol, as letras "N" e "A". Nos rituais modernos suprime-se geralmente o avental e surgem alterações de somenos importância. Também se não faz uso da túnica nem do chapéu.



31º - Grande Juiz Soberano Comendador - Avental branco debruado de prata com a cruz teutônica no meio, também de prata, e o número "31" bordado a vermelho, na abeta. Ao pescoço, fita de moirée branca, tendo na ponta um triângulo radiante de ouro com o número "31" bordado a vermelho. O avental pode ser suprimido nas sessões de loja de grau inferior. Nos rituais modernos acrescenta-se a jóia, pendente da fita, que é uma cruz teutônica...




32º - Sublime Príncipe do Real Segredo - Ao pescoço, fita preta orlada de prata e forrada de vermelho, com uma cruz teutônica na ponta, bordada a vermelho, onde se desenha uma águia bicéfala de prata; no reverso da fita borda-se outra cruz teutônica, a preto; a jóia, pendente da fita, é uma cruz teutônica de ouro esmaltada de vermelho, com o número "32" no centro. Usa-se também, em alternativa, uma túnica branca com cinta negra franjada de prata, e um manto vermelho no qual se borda uma cruz teutônica branca; no peito da túnica borda-se outra cruz teutônica, vermelha. Chapéu semelhante ao do grau 30, preto com uma águia bicéfala a ouro. Nos rituais modernos, para lá de se omitir a túnica, o manto e o chapéu, acrescenta-se uma cinta preta franjada de prata, com a cruz teutônica pendente.



33º - Soberano Grande Inspetor Geral - Avental branco, orlado de folho vermelho, tendo bordada no meio uma águia bicéfala de ouro, coroada e sobreposta por cinco bandeiras; na abeta borda-se uma cruz teutônica a vermelho e ouro. Banda de moirée branca, posta a tiracolo, da direita para a esquerda; tem bordados, a ouro e vermelho, a águia bicéfala coroada, um triângulo radiante tendo no centro o número "33" e duas bandeiras cruzadas e sobrepostas por uma coroa; franja de ouro. Cinta de moirée branco, franjada de ouro, com uma cruz teutônica a vermelho e ouro no centro. Ao pescoço, fita estreita branca, tendo pendente a jóia, que é uma águia bicéfala preta coroada, com bico, unhas e espada nas garras a ouro. Usa-se em alternativa, para ocasiões solenes, uma túnica vermelha orlada de ouro, banda e cinta como as anteriormente descritas, e manto brando orlado e bordado de ouro, com uma cruz teutônica vermelha. Na cabeça coroa aberta. Nos rituais modernos, para além de se omitir o traje de cerimônia, suprime-se o avental.

Fonte: Figurinos Maçônicos Oitocentistas, um «guia» de 1841/42 com apresentação, introdução e anotações do Dr. A. H. de Oliveira Marques (Editorial Estampa, Lisboa, 1983) - cortesia do Grêmio Fênix (GOL, Lisboa)