segunda-feira, 22 de setembro de 2008

GARIBALDI

Irm.'. Giuseppe Garibaldi


Fato histórico de bastante relevância dentro da Instituição é o que se refere à epopéia da revolução Farroupilha que teve a participação de Maçons.
A Revolução Republicana do Rio Grande do Sul, iniciada em 1835, é lembrada, em muitas Lojas Maçônicas.
Vem à memória, especialmente a figura do Irm Giuseppe Garibaldi considerado um dos mais populares heróis do mundo. O conceito é alicerçado nos seus ideais maçônicos e na sua trajetória de lutas pela liberdade e pela unificação da Itália. Ferrenho defensor de idéias liberais, anticlerical e mais conhecido como "O Herói de Dois Mundos".
Na ordem atingiu o 33º. Foi eleito Grão-Mestre da Maçonaria italiana em 1864. Também foi o primeiro Grão-Mestre geral do Rito de Memphis Misraïm, naquele país. Não obstante, o Irm Garibaldi foi iniciado no Rio de Janeiro, no ano de 1844, na ARLS "Refúgio da Virtude", filiando-se depois, a 28 de agosto do mesmo ano, à Loja "Os amigos da Pátria".
Na vida profana foi um político revolucionário nascido, em 1807, em Nice (que à época pertencia à Itália, até o ano de 1860, quando passou para a França definitivamente).
Entrando para a marinha da Sardenha, aderiu, em 1833 ao movimento "Jovem Itália", de Mazzini de idéias republicanas. Envolveu-se em uma conspiração frustrada de ataque à Gênova que, descoberta (1834), obrigou-o a fugir para o Brasil e, aqui passou a lutar ao lado dos Farroupilhas em conjunto com grupo de italianos. Entre estes - cerca de 50 - havia carbonários, membros de uma sociedade secreta, segundo alguns, derivada da maçonaria, formada para lutar contra o domínio napoleônico.
Garibaldi Viveu 14 anos na América do Sul
Em 1836 recebeu um comando do general Bento Gonçalves, e participou de ataque a Laguna, em Santa Catarina, onde conheceu Ana Maria Ribeiro da Silva, em 1839 que passou à história como a celebre Anita Garibaldi com quem fugiu para Montevidéu em 1840 e que iria acompanhá-lo por toda a sua vida.
No Uruguai formou a "Legião Italiana" para lutar contra os Blancos de Rosa.
Após esses combates na América do Sul, em junho de 1848 voltou à Itália, formando no Piemonte um grupo de voluntários e o instigou a lutar em favor da unidade italiana, contra os austríacos que pouco depois foi destroçado em Custozza. No ano seguinte lutou pela república romana contra os franceses do Oudinot que sitiavam a Roma republicana e, após a queda de Roma, atravessou com seu exército a Itália Central, de novo contra os austríacos. Auxiliando no comando das tropas da Liga italiana, preparou a insurreição das Marcas e da Úmbria (1859) e exilou-se nos E.U.A., de onde voltou em 1854, para morar na Ilha de Caprera que comprara, perto da Sardenha. Quando, em 1859, estourou a guerra com a Áustria, assumiu o comando da brigada dos "Caçadores dos Alpes", derrotando o inimigo em uma série de batalhas.
Em 1860, com Crispi e Bertani, organizou a expedição dos "mil camisas vermelhas" (eram 1.089) para conquistar o Reino de Nápoles.
Desembarcou em Marsala, na Sicília, a 11 de maio, quatro dias depois derrotou o exército inimigo em Calarafimi e, em julho, estava dono da ilha.
Partindo para o continente, entrou em Nápoles a 7 de setembro e no mês seguinte destruiu o resto das tropas dos Bousbons em Volturno. A 7 de novembro acompanhou Vítor Manuel Nápoles.
Voltou à política como deputado em 1861, rompeu com Cavour que cedera Nice à França e, quando marchava sobre Roma, foi aprisionado.
Libertou-se graças a um decreto de anistia. Em 1864 foi recebido entusiasticamente em Londres. Quando, em 1866, estourou a guerra contra a Áustria, comandou no Tirol um exército de 35.000 voluntários, vencendo 6 batalhas em 17 dias. retornando à sua casa de Caprera, depois de uma invasão mal sucedida dos Estados Pontifícios em 1867, só voltou a combater na guerra Franco-Prussiana de 1870, quando derrotou os alemães em Chatillon, Autum e Dijon. À frente dos Mil ou Camisas vermelhas, expulsou os Bourbons da Sicília e de Nápoles (1860), depois combateu as tropas pontifícias e francesas de Roma, mas foi vencido em Aspromonte (1862) em Mentana (1867). Em 1870 alistou-se no exército francês. Foi eleito deputado ao Parlamento francês, mas abandonou o mandato e, em 1874 foi eleito deputado por Roma.
Um dos maiores mestres na história da estratégia militar revolucionária, Irm Giuseppe Garibaldi morreu em Caprera, no dia 2 de junho de 1882.
Fonte: Samaúma - Poral Maçônico
dez de 2006
Revisado em Set de 2008
Apresentado p/o mano
Elias da Silva Linhares

sexta-feira, 19 de setembro de 2008

HISTÓRIA DA ORDEM DEMOLAY

Jacques DeMolay

Jacques DeMolay nasceu em Vitrey, na França, no ano de 1244. Pouco se sabe de sua família ou sua primeira infância. Sabe-se que na idade de 21 anos, ele tornou-se membro da Ordem dos Cavaleiros Templários
A Ordem participou destemidamente de numerosas Cruzadas, e o seu nome era uma palavra de ordem de heroísmo, quando, em 1298, DeMolay foi eleito Grão Mestre. Era um cargo que o classificava como e muitas vezes acima de grandes lordes e príncipes. DeMolay assumiu o cargo numa época em que a situação para a Cristandade no Oriente estava ruim. Os infiéis sarracenos haviam conquistado os Cavaleiros das Cruzadas e capturado a Antioquia, Trípoli, Jerusalém e Acre. Restaram somente os "Cavaleiros Templários" e os "Hospitalários" para confrontarem-se com os sarracenos. Os Templários, com apenas uma sombra de seu poder anterior, se estabeleceram na ilha de Chipre, com a esperança de uma nova Cruzada. Porém, as esperanças de obterem auxílio da Europa foram em vão pois, após 200 anos, o espírito das Cruzadas havia-se extinguido.
Os Templários foram fortemente entrincheirados na Europa e Grã-Bretanha, com suas grandes casas, suas ricas propriedades, seus tesouros de ouro; seus líderes eram respeitados por príncipes e temidos pelo povo, porém não havia nenhuma ajuda popular para eles em seus planos de guerra. Foi a riqueza, o poder da Ordem, que despertou os desejos de inimigos poderosos e, finalmente, ocasionou sua queda.
Em 1305, Felipe, o Belo, então Rei de França, atento ao imenso poder que teria se ele pudesse unir as Ordens dos Templários e Hospitalários, conseguindo um titular controle, procurou agir assim. Sem sucesso em seu arrebatamento de poder, Felipe reconheceu que deveria destruir as Ordens, a fim de impedir qualquer aumento de poder do Sumo Pontificado, pois as Ordens eram ligadas apenas à Igreja.

Filipe IV, O belo
O ano de 1305 encontra a Ordem dos Cavaleiros do Templo e a Ordem dos Hospitalários sediados na ilha de Chipre, pois os muçulmanos haviam retomado a Terra Santa. Ansiavam por uma última Cruzada, que jamais ocorreu. O rei da França Felipe de Valois, conhecido como “Felipe o Belo”, concebeu um plano voltado a apoderar-se da enorme riqueza dos Templários e ter perdoada sua enorme dívida para com a Ordem e assim amealhar recursos para seus projetos temporais de ampliação territorial sobre a Inglaterra. Para tanto precisava da aquiescência do papa Clemente V (Bernardo de Goth, ex-arcebispo de Bordeaux) que, imediatamente, concebeu o plano de unificar as duas Ordens rivais, ou subordinar todos aos Hospitalários. Convocou os dois Grãos Mestres de ambas as Ordens a um encontro em Paris. O Grão Mestre dos Hospitalários deu uma desculpa convincente e faltou ao encontro. Jacques De Molay, Grão Mestre dos Templários, então contando quase 70 anos de idade, compareceu ao encontro com dois documentos: um plano detalhado para uma nova Cruzada (que presumia ser o principal motivo da convocação) e um arrazoado explicando as diferenças e motivos que considerava relevantes para manter Templários e Hospitalários como ordens distintas.
De Molay foi recebido com todas as honras em Paris. Durante dois anos – período durante o qual Felipe de Valois ficou de apresentar sua decisão final sobre os dois documentos trazidos por Jacques De Molay – Guilherme de Nogaret, ministro de Felipe “o Belo”, arquitetou o plano para aprisionar a um só tempo todos os Templários em todos os pontos da Europa. Foram expedidas cartas lacradas aos senescais (líderes políticos e religiosos locais) de todas as paróquias com ordens expressas de somente abri-las a 12 de setembro de 1307. Naquela data, Jacques De Molay contava-se entre os maiores nobres da Europa a carregarem o caixão da princesa Catarina, falecida esposa do irmão do rei Felipe, Carlos de Valois. No mesmo momento em que o Grão Mestre dos Templários participava deste solene evento fúnebre em companhia dos nobres, não havia meios que lhe permitissem saber da trama, menos ainda do conteúdo das cartas que, abertas, tornariam a sexta-feira 13 (naquele caso de setembro de 1307) o dia mais aziago do ano: 15 mil homens (o número total de Cavaleiros Templários) deveriam ser aprisionados em grilhões especialmente confeccionados e despachados a todos os pontos com esta finalidade.
DeMolay e milhares de outros Templários foram presos e atirados em calabouços. Foi o começo de sete anos de celas úmidas e frias e torturas desumanas e cruéis para DeMolay e seus cavaleiros. Felipe forçou o Papa Clemente V a apoiar a condenação da Ordem, e todas as propriedades e riquezas foram transferidas para outros donos. O Rei forçou DeMolay a trair os outros líderes da Ordem e descobrir onde todas as propriedades e os fundos poderiam ser encontrados. Apesar do cavalete e outras torturas, DeMolay recusou-se.


Papa Clemente V

Finalmente, em 18 de março de 1314, uma comissão especial, que havia sido nomeada pelo Papa, reuniu-se em Paris para determinar o destino de DeMolay e três de seus Preceptores na Ordem. Entre a evidência que os comissários leram, encontrava-se uma confissão forjada de Jacques DeMolay há seis anos passados. A sentença dos juizes para os quatro cavaleiros era prisão perpétua. Dois dos cavaleiros aceitaram a sentença, mas DeMolay não; ele negou a antiga confissão forjada, e Guy D'Avergnie ficou a seu lado. De acordo com os costumes legais da época, isso era uma retratação de confissão e punida por morte. A comissão suspendeu a seção até o dia seguinte, a fim de deliberar. Felipe não quis adiar nada e, ouvindo os resultados da Corte, ele ordenou que os prisioneiros fossem queimados no pelourinho naquela tarde.

Quando os sinos da Catedral de Notre Dame tocavam ao anoitecer do dia 18 de março de 1314, Jacques DeMolay e seu companheiro foram queimados vivos no pelourinho, numa pequena ilha do Rio Sena, destemidos até o fim. Apesar do corpo de DeMolay ter perecido naquele dia, o espírito e as virtudes desse homem, para quem a Ordem DeMolay foi denominada, viverão para sempre.

"Embora o corpo de DeMolay tivesse sucumbido aquela noite, seu espírito e suas virtudes pairam sobre a Ordem DeMolay, cujo nome em sua homenagem viverá eternamente."

Jacques DeMolay, com 70 anos, durante sua morte na fogueira intimou aos seus três algozes, a comparecer diante do tribunal de Deus, e amaldiçoando-os, bem como aos descendentes do Rei da França, Filipe "O Belo":

A Maldição lançada por Jacques DeMolay

No momento em que era amarrado no pelourinho, DeMolay gritava:

" - Vergonha! Vergonha! Vós estais vendo morrer inocentes. Vergonha sobre vós todos". Enquanto DeMolay queimava na fogueira, ele disse suas últimas palavras:
"- Nekan, Adonai!!! Papa Clemente... Cavaleiro Guillaume de Nogaret... Rei Filipe; Intimo-os a comparecerem perante o Tribunal do Juiz de todos nós dentro de um ano para receberdes o seu julgamento e o justo castigo. Malditos! Malditos! Todos malditos até a décima terceira geração de suas raças!!!
Após essas palavras, Jacques DeMolay, inclinou a cabeça sobre o ombro e entregou sua alma ao Pai Celestial.
Do Palácio Real, Filipe assistia a morte de DeMolay e ouvira suas palavras. Ficou em silêncio mas bastante assustado. Mais tarde comentou com Nogaret: "Cometi um erro, devia ter mandado arrancar a língua de DeMolay antes de queimá-lo.
" Quarenta dias depois, Filipe e Nogaret recebem uma mensagem: "O Papa Clemente V morrera em Roquemaure na madrugada de 19 para 20 de abril, por causa de uma infecção intestinal", Filipe e Nogaret olharam-se e empalideceram.
Rei Filipe IV, o Belo, faleceu em 29 de novembro de 1314, com 46 anos de idade, quando caiu de um cavalo durante uma caçada em Fountainebleau.
Guillaume de Nogaret acabou falecendo numa manhã da terceira semana de dezembro, envenenado.
Após a morte de Filipe, a sua dinastia, que governava a França a mais de 3 séculos, foi perdendo a força e o prestígio. Junto a isso veio a Peste Negra e a Guerra dos Cem Anos, a qual tirou a dinastia dos Capetos do poder, passando para a dinastia dos Valois.
Hoje tomamos Jacques DeMolay como símbolo de lealdade e tolerância e lembramos dos seus feitos de coragem, homenageando-o, colocando o seu nome em nossa Ordem.
Outras fontes indicam uma outra versão da Última Prece proferida por Jacques DeMolay no Cadafalso
"Senhor,
permiti-nos refletir sobre os tormentos que a iniqüidade e a crueldade nos fazem suportar.

Perdoai, ó meu Deus, as calúnias que trouxeram a destruição à Ordem da qual Vossa Providência me estabeleceu chefe.
Permiti que um dia o mundo, esclarecido, conheça melhor os que se esforçam em viver para Vós.
Nós esperamos, da Vossa Bondade, a recompensa dos tormentos e da morte que sofremos para gozar da Vossa Divina Presença nas moradas bem-aventuradas.

Vós, que nos vedes prontos a perecer nas chamas, Vós, que nos vedes prontos a perecer nas chamas, vós julgareis nossa inocência.
Intimo o papa Clemente V em quarenta dias e Felipe o Belo em um ano, a comparecerem diante do legítimo e terrível trono de Deus para prestarem conta do sangue que injusta e cruelmente derramaram."
Esta é uma outra versão da prece proferida no dia 18 de março de 1314, no momento em que o Grão-Mestre Jacques DeMolay e seu fiel companheiro foram supliciados.
Os gases letais interromperam o anátema, DeMolay dobrou-se e perdeu os sentidos. O impacto inesperado deixou a multidão estarrecida. Não esperavam essa reação, mas cada um sentiu em si o peso da injustiça e a certeza que a maldição se cumpriria. Quarenta dias depois, Felipe e Nogaret receberam uma mensagem "o Papa Clemente morrera". Felipe e Nogaret olharam-se e empalideceram, no pergaminho dizia que a morte ocorrera entre o dia 19 e 20 de abril. O Papa Clemente morreu pôr ingerir esmeraldas reduzidas a pó( para curar sua febre e um ataque de angústia e sofrimento) que provavelmente cortaram seus intestinos. O remédio foi receitado por médicos desconhecidos, quando retornava a sua cidade natal. Guilherme de Nogaret veio a falecer numa manhã da terceira semana de Maio, envenenado por uma vela feita por Evrard, antigo Templário, com a ajuda de Beatriz d'Hirson. O veneno contido na vela era composto de dois pós; de cores diferentes:
- Cinza: Cinzas da língua de um dos irmãos de d'Aunay , elas tinham um poder sobrenatural para atrair o demônio.
- Cristal Esbranquiçado: "Serpente de faraó" Provavelmente sulfocia de mercúrio. Gera por combustão: Ácido Sulfúrico, vapores de mercúrio e compostos anidridos podendo assim provocar intoxicações. Morreu vomitando sangue, com câimbras, gritando o nome daqueles que morreram por suas mãos. Felipe o Belo veio a morrer em 27 de Novembro de 1314, com 46 anos de idade, em uma caçada. Saiu a caçar com seu camareiro, seu secretário particular e alguns familiares na floresta de Pont-Sainte-Maxence. Sempre acompanhado de seus cães foram em busca de um raro cervo de 12 galhos visto perto ao local. O rei acabou perdendo-se do grupo e encontrou um camponês que o ajuda a localizar o cervo. Achando-o e estando pronto a atacar-lhe percebeu uma cruz que brilhava, começou a passar mal e caiu do cavalo. Foi achado por seus companheiros e levado de volta ao palácio repetindo sempre " A cruz, a cruz.." Pediu como o Papa Clemente em seu leito de morte que fosse levado a sua cidade natal ; no caso do rei, Fontainebleau. " A mão de Deus fere depressa, sobretudo quando a mão dos homens ajuda" teria dito um dos Templários remanescentes, jurando vingança.
Pré-requisitos para ser membro de um Capítulo DeMolay
1. Ter menos de 21 e pelo menos 12 anos de idade completos;
2. Professar sua crença em Deus e reverenciar Seu Santo Nome;
3. Afirmar lealdade a seu País e respeito à Bandeira Nacional;
4. Aderir à prática de moral pessoal;
5. Fazer votos de seguir os elevados ideais típicos das Sete Virtudes Cardeais da Coroa da Juventude;
6. Aprovar a filosofia da Irmandade Universal e a nobreza de caráter e exemplificada pela vida e morte de Jacques DeMolay;
7. Estar ciente que o ingresso na Ordem DeMolay não lhes garantirá no futuro a iniciação em um Corpo Maçônico.
As Sete Virtudes Cardeais de um DeMolay
A Ordem DeMolay invoca sete luzes que iluminam seus caminhos conforme passam pela estrada da vida, simbolizando tudo que é bom e correto, tudo o que juram ser a base de suas vidas:
01. Amor Filial : O amor entre pais e filhos.
02. Reverência pelas Coisa Sagradas : O respeito pelo que é sagrado. Principalmente o amor que temos pelo nosso Pai Celestial.
03. Cortesia : O que ilumina a nossa vida. A nossa Educação.
04. Companheirismo : O amor que temos por nossos irmãos e amigos, que mantêm vivos os ideais de nossa Ordem.
05. Fidelidade : Cumprir, conscientemente seus compromissos junto a seus ideais, a seus irmãos e amigos e ao Pai Celestial.
06. Pureza : De pensamentos, palavra e ações.
07. Patriotismo : Amor e respeito por sua pátria, seu povo, suas origens. É a busca de ser sempre um bom cidadão, respeitando as leis de seu Pais.
Código de Ética
Um DeMolay serve a Deus;
Um DeMolay honra todas as mulheres;
Um DeMolay ama e honra seus pais;
Um DeMolay é honesto;
Um DeMolay é leal a ideais e amigos;
Um DeMolay executa trabalhos honestos;
Um DeMolay é cortês;
Um DeMolay é sempre um cavalheiro;
Um DeMolay é um patriota tanto em tempo de paz quanto em tempo de guerra;
Um DeMolay sempre permanece inabalável a favor das escolas públicas;
Um DeMolay é o orgulho de sua Pátria, seus pais, sua família e seus amigos;
A palavra de um DeMolay é tão válida quanto sua confiança;
Um DeMolay, por preceito e exemplo, deve manter os elevados níveis aos quais ele se comprometeu.
O brasão da ordem DeMolay e seu significado
Significado do Brasão:
01 - A COROA simboliza a Coroa da Juventude, nos embra contentemente icado do nossas obrigações e os sete preceitos da Ordem.
02 - OS NOVE RUBIS E UMA PÉROLA, honram o fundador e os nove jovens que participaram da formação da Ordem Demolay, Frank S. Land, Louis Lower, Ivan Bentley, Clyde Stream, Gorman McBride, Edmund Marshall, Ralph Sewlle e Elmer Dorsey. No começo se tinha uma pérola para cada componente mater vivo e um rubi para um falecido, hoje o brasão possui só uma pérola, que é o Ir.'. Jerome Jacobson o único vivo.
03 - O ELMO, simboliza o cavalheirismo, sem o qual não é possível mostrar a delicadeza do caráter.
04 - A LUA quarto-crescente é um sinal de segredo e lembra ao Demolay o seu dever de nunca revelar segredos da Ordem ou trair uma confidência de um amigo ou irmão.
05 - A CRUZ DE CINCO BRAÇOS simboliza a pureza de intenção. Lembrando o lema:
"Nenhum Demolay falhará como cidadão, como líder, como homem."
06 - AS ESPADAS CRUZADAS denotam justiça, retidão e piedade. Simboliza nossa luta contra a arrogância, tirania e intolerância.
07 - AS ESTRELAS RODEANDO A LUA simbolizam os desejos e deveres de irmandade entre os membros da Ordem.
08 - A COR AMARELA predominante, significa a luz.
09- A COR VERMELHA significa força, energia e coragem.
10 - A COR AZUL está para equilibrar o vermelho, formando o homem perfeito.

Cronologia da Ordem DeMolay
1244 - Nascimento de Jacques de Molay.
1265- Jacques de Molay ingressa na Ordem dos Cavaleiros Templários.
1298 - Jacques de Molay é eleito Grão-Mestre da Ordem dos Templários.
1314 - Jacques de Molay é queimado vivo por sua fidelidade.
1865 - Frank Arthur Marshall nasce em Leavemworth, Kansas, em 13 de novembro.
1890 - Frank Sherman Land nasce em Kansas City, Missouri, em 21 de junho.
1912 - Iniciação de Land na Maçonaria, em 25 de maio.
1919 - Frank Sherman Land conhece Louis Gordon Lower e seus amigos, e nasce a idéia de um "Clube" para rapazes, em 19 de fevereiro.Os rapazes escolhem o nome "Conselho DeMolay" para o seu "Clube" em 24 de março.Primeira reunião do Conselho DeMolay em Kansas City, organizado pelo fundador, Frank Sherman Land.
Ritual é escrito por Frank Arthur Marshall.
O nome oficial é mudado para Ordem DeMolay.
1920 - O segundo Capítulo é fundado em Omaha, Nebraska.
1921 - Primeira reunião do Grande Conselho da Ordem DeMolay (que posteriormente se chamará Supremo Conselho Internacional).
Maçonaria passa a patrocinar a Ordem DeMolay.
1922 - Nascimento de Alberto Mansur, em 7 de setembro, em Vargem Alegre - Rio de Janeiro.
1929 - Fundação Internacional DeMolay Alumni Association (Reorganizada em 1984).
1933 - Franklin D. Roosevelt é nomeado primeiro Grande Mestre Honorário.
1937 - Primeira concessão de "Founder's Gross" (Honraria concedida somente por Frank Sherman Land).
O original "Hall da Fama DeMolay" é iniciado por Frank Sherman Land.
1946 - Aprovação da Ordem da Cavalaria (Nobres Cavaleiros da Ordem Sagrada dos Soldados Companheiros de Jacques de Molay).
1950 - Alberto Mansur inicia-se na Maçonaria.
1959 - Frank Sherman Land falece em 08 de novembro.
1967 - Primeiro Congresso DeMolay Internacional.
1969 - Celebração do Cinqüentenário da Ordem DeMolay.
1980 - Fundação da Ordem DeMolay no Brasil, em 16 de agosto.
1985 - Instalação do Supremo Conselho da Ordem DeMolay para o Brasil, em 12 de abril.
1986 - O "Hall da Fama" é reorganizado.Primeiro Capítulo local da Alumni Association.
1989 - Primeiro Congresso DeMolay Nacional.
1992 - Primeiro Sênior DeMolay eleito Presidente dos Estados Unidos da América (William "Bill" Clinton).
1993 - A Ordem da Cavalaria é trazida para o Brasil, com a instalação do Convento Sir Percival de Gales, em 04 de setembro.
1994 - Comemorações dos 75 anos da Ordem DeMolay. Fundação da Associação de Seniores DeMolay's para o Brasil, em 05 de março. Fundados os 3 primeiros Capítulos paraguaios, sob jurisdição do Supremo Conselho da Ordem DeMolay para o Brasil.
1995 - Aniversário dos 15 anos de Fundação da Ordem DeMolay no Brasil. Oficialização da Associação de Seniores DeMolay's para o Brasil, em 18 de março. Fundado e instalado o primeiro Convento dos Nobres Cavaleiros, no Paraná.
1997 - Na cidade de Balneário Camboriú ocorre o verdadeiro "I Congresso Nacional DeMolay no Brasil", nos dias 23, 24 e 25 de maio, sediado pelo Capítulo "Luiz Zaguini" n.º 151.
2000 - Na cidade do Rio de Janeiro, ocorre o "VII Congresso Nacional da Ordem DeMolay" com o intuito de, entre a programação estabelecida, comemorar os 20 anos de Ordem no Brasil.


Sobre os Algozes
Clemente V(Bernard de Got) - Guilherme de Nogaret e Filipe IV de Valois, "O Belo
"






Selo do Papa Clemente V

Clemente V (Bertrand de Got)
Papa de 1305 a 1314; nascido em Villandraut (Gironde), na França, em 1264. Em 1309, o papa fixou residência em Avignon, cidade ao sul de França, alegando ser essa localização mais adequada do que Roma para administrar a igreja, pois a França era politicamente mais importante, devido as pressões de Filipe, o Belo. A sede do papado manteve-se em Avignon por 70 anos (1307- 1377), episódio que ficou conhecido como Cativeiro de Avignon. Morto em 30 de Abril de 1314 em Roquemaure, na Provença, por ingerir esmeraldas reduzidas a pó (para curar sua febre e um ataque de angústia e sofrimento), que provavelmente cortaram seus intestinos. O remédio foi receitado por médicos desconhecidos (?), quando o papa retornava a sua cidade natal. Clemente V deixou uma notável coleção de leis canônicas, as Clementinae, e fundou na Europa várias cátedras de línguas asiáticas.

Filipe IV (o Belo) - (Fointainebleu 1268 - id. 1314)
Rei da dinastia Capetíngea. Filho de Isabel de Aragão e Felipe III, "o ousado". Casado com Joana de Navarra. Foi excomungado por Bonifácio VIII, excomunhão que foi levantada por Clemente V. Saiu a caçar com seu camareiro, Hugo de Bouville; seu secretário particular, Maillard e alguns familiares na floresta de Pont-Sainte-Maxence. Sempre acompanhado de seu cães. Foram em busca de um raro cervo de doze galhos visto perto ao local. O rei acabou perdendo-se do grupo e encontrou um camponês que livra-se de ser servo. Deu-lhe sua trompa como presente por tê-lo ajudado a localizar o cervo. Achando-o e estando pronto a atacar-lhe, percebeu uma cruz (dois galhos que se prenderam nos chifres do cervo) que brilhava (o verniz do galho que reluzia ao sol). Começou a passar mal, não consegui chamar ninguém, pois estava desprovido de sua trompa. Sentiu um estalo na cabeça e caiu do cavalo. Foi achado por seus companheiros e levado de volta ao palácio, repetindo sempre - "A cruz, a cruz..."e sempre com muita sede. Pediu como o Papa Clemente em seu leito de morte, que fosse levado a sua cidade natal; no caso do rei, Fontainebleau. O rei ficou perdido no seu interior, parecendo um louco, durante uns doze dias. Era dito aos que perguntavam dele , que tinha caído do cavalo e atacado por um cervo. Filipe foi levado a fazer um novo testamento e foi instigado por seus irmãos: Carlos de Valois e Luís d'Evreux, a escrever o que eles queriam. Logo após terminado, sempre com sede, faleceu.

Diz-se que Irmão Reinaldo, Grande Inquisitor de França, que acompanhou o rei em seus últimos dias, não conseguiu fechar suas pálpebras, que se abriam novamente. Foi assim, em seu velório, necessária uma faixa que cobrisse seus olhos.

Segundo os documentos e relatórios de embaixadores de que se dispõe, Chega-se a conclusão de Filipe, o Belo, sucumbiu a uma apoplexia cerebral em uma zona não motora. A afasia do início pode ter sido devido a uma lesão na região da base do crânio. Teve sua recaída mortal por volta de 26 de novembro, vindo a falecer em 29 de Novembro de 1314.

Guilherme de Nogaret (Guarda-Selos do Reino)
Descendente de cátaros, era o oficial chefe de Filipe IV e principal conselheiro, arquitetou as acusações contra os Templários. Nogaret já havia cometido ações contra Bonifácio VIII: (seqüestro e espancamento) - Bonifácio VIII (Benedetto Caetani) - Papa de 1294 a 1303; nascido em Anagni, entre 1220 e 1230. Dedicou-se ao estudo de Direito, sendo considerado, quando cardeal, eminente jurista e hábil diplomata. Convenceu o Papa eremita Celestino V a renunciar, sendo eleito em seu lugar. Entrou em choque com Filipe, o Belo; quando promulgou a bula Clericis Laicos, proibindo o clero de pagar impostos sem autorização papal. Depois de 1300, cresceram as dificuldades entre Bonifácio VIII e Filipe, o Belo; que falsificou bulas e pôs os franceses contra o Papa. Guilherme de Nogaret, aliado a dois cardeais da família Collona, recruta na Itália um exército, e assalta o Palácio Anagni. Lá o Papa em seus 86 anos, dentro de seus aposentos sacerdotais, intimado a renunciar o papado teria dito: ''Aqui está meu pescoço, aqui está minha cabeça: morrerei, mas morrerei papa!''. Foi esbofeteado por um dos cardeais Collona e excomungou Guilherme de Nogaret. Permaneceu prisioneiro por dois dias, até que a população o socorreu. Regressando à Roma, enlouqueceu devido ao golpe e morreu blasfemando depois de quatro meses (11 de outubro).
Diz-se que morreu envenenado, fato que se atribui a Nogaret.

Envenenado por uma vela, feita por Evrard, antigo Templário, com a ajuda de Beatriz d'Hirson (dama de companhia de Mafalda d'Artois, mãe de Joana e Branca de Borgonha e tia de Margarida de Borgonha, esposas de Filipe, Carlos e Luís, respectivamente, filhos de Filipe, o Belo. Era também tia de Roberto d'Artois, um dos muitos amantes de Isabel, filha de Filipe, o Belo; cuja De Molay era padrinho de batismo). O veneno contido na vela era composto de dois pós de cores diferentes:

- CINZA: Cinzas da língua de um dos irmãos d'Aunay (que foram queimados por terem traído Carlos e Luís com suas respectivas esposas). Elas tinham um suposto efeito sobrenatural para atrair o demônio.

- CRISTAL ESBRANQUIÇADO: "Serpente de Faraó". Provavelmente sulfocianeto de mercúrio. Gera por combustão: Ácido sulfúrico, vapores de mercúrio e compostos anídricos; podendo assim, provocar intoxicações tanto cianídrica, quanto mercurial. Morreu vomitando sangue, com câimbras, gritando o nome dos que morreram por suas mãos.


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Fonte: Cultura Brasileira

terça-feira, 16 de setembro de 2008

O SEGREDO E O BODE DA MAÇONARIA

No livro de Daniel, capítulo 12, versículo 4, o Senhor ordena que o profeta lacre e guarde em segredo as palavras de uma mensagem expressa em um determinado livro até o fim dos tempos. Mais adiante, no mesmo capítulo, nos versículos 9 e 10, diz o Senhor: “Vai Daniel, porque estas palavras estão fechadas e lacradas até o tempo do fim. Muitos serão purificados, esbranquiçados e refinados, mas os transgressores procederão iniquamente, e nenhum dos transgressores entenderá, mas os sábios entenderão.” Fiel às instruções do Senhor Deus, Daniel guardou e os de hoje prosseguem guardando o segredo recomendado por Deus.
Embora guardar sigilo na Ordem Maçônica vem desde sua origem, a notícia remonta do período dos apóstolos, por volta do terceiro ano depois de Cristo quando eles se dirigiram a várias localidades para pregar o evangelho. Os que foram para a Palestina, ficaram surpresos com o costume do povo judaico em falar ao ouvido de um bode, um animal muito presente na cultura do povo judeu daquele período. Os apóstolos de Cristo, ao buscarem saber as razões que sustentavam aquela postura, os palestinos davam o silêncio como resposta. Até que um Rabino de uma comunidade, em atenção à indagação do apóstolo Paulo, respondeu-lhe que tal procedimento era (e ainda é parte, até hoje em algumas aldeias do território Israelense) de um cerimonial judaico para expiação de pecados e erros, cujo povo tem o bode como confidente. Confessar erros e pecados ao um bode, junto ao seu ouvido, segundo o mencionado ritual, assegura ao pecador de que o segredo de seus delitos confessados ficam guardados, tendo em vista que bode não fala. O confessionário na Igreja Católica foi instituído anos depois, cuja instituição garante ao pecador o voto de silêncio por parte do sacerdote-confessor.
Perseguida pelo governo papal do Vaticano, por discordar frontalmente das instituições oficiais do seu poderoso império, com que a Igreja subjugou, humilhou e matou nas fogueiras da Inquisição milhões de pessoas, muitos maçons foram presos e submetidos aos inquisidores que a todo custo buscavam arrancarem deles confissões sigilosas de domínio da Ordem Maçônica, semelhantes as que o Senhor recomendou ao profeta Daniel fechar e lacrar até o tempo do fim. Um dos inquisidores, Chasmadoiro Roncalli, um reconhecido perverso dos quadros da Igreja, chegou a desabafar, com um superior seu: “Senhor, este pessoal maçom parece bode, por mais grave que eu torne o processo de flagelação a que lhes submeto, não consigo arrancar de nenhum deles quaisquer palavras.”Remonta desse período a alcunha de bode com que se faz referência aos cidadãos maçons, em todo o mundo, como aquele que sabe guardar segredo.
Muitos associam a figura do bode ao demônio com que buscam acusar a Maçonaria de práticas satânicas, com argumentações integralmente destituídas da expressão da verdade. Ministros da Palavra de Deus e fiéis de quaisquer segmentos da Igreja de Cristo têm compromisso com a verdade, razão por que o próprio Deus recomendou e instruiu a todos, conforme está expresso nas Escrituras Sagradas do Livro de Êxodo 23:01 “não deves propagar uma notícia inverídica. Não cooperes com o iníquo por te tornares testemunha que trama violência.”
FONTE:
Autor: Pedro Borges dos Anjos, é Cristão Evangélico e Mestre Maçom do quadro da Loja Maçônica Caridade e Segredo, da cidade histórica da Cachoeira, estado da Bahia.
Agradecimentos especiais ao Irm.’. Jairo Jambeiro M.’.M.’. Campinhas – SP que indicou o texto.

terça-feira, 9 de setembro de 2008

O MESTRE

(Publicado na revista O Pensamento - mai/jun/99)

Sem saber o que fazer vagava o Mestre despreocupado por entre a obra quando se deparou com um Aprendiz que, concentrado, examinava uma pedra ainda não totalmente desbastada. Querendo mostrar sua força e sua autoridade, dirigiu-se ao obreiro:

- Aprendiz, a tua pedra não está devidamente desbastada. Acaso pensas em dá-la como acabada?

- Mas, Mestre esta pedra...

- Não será negligenciando nas tuas tarefas que um dia pretendes chegar onde hoje estou. Não penses que o mestrado é conseguido sem sacrifícios e pouco trabalho.

- Mas, Mestre, eu...

- Não me parece que os ensinamentos tenham sido por ti bem assimilados. Vede o estado em que se encontra esta pedra. Toda disforme e cheia de imperfeições. Já imaginastes as conseqüências que acarretaria o seu assentamento na obra? Por certo não iria se encaixar convenientemente e, além disso, colocaria em risco o próprio andamento da construção

- Mas, Mestre, eu gostaria de...

- Não me interrompas enquanto falo. Um aprendiz deve saber comportar-se diante de seu Mestre. Não estou gostando do teu comportamento nem de teu jeito desleixado de trabalhar. Olha só esse avental, todo sujo, e essas ferramentas em péssimo estado de conservação. Agora olha para mim. Vê meus paramentos, imaculados, e meus utensílios de trabalho perfeitamente conservados, como novos. Não te serve de lição ver tão gritante comparação? Acaso não te sirvo de exemplo? E vamos deixar de conversa; trata de trabalhar que o tempo é curto. Como castigo, para que não sejas tão negligente, deverás terminar o desbaste desta pedra, mesmo no teu horário de descanso.

- Mas, Mestre, eu gostaria de explicar que...

- Não irei perder mais meu tempo contigo! Faze o que determinei e estamos conversados!

Afastando-se, o Mestre sai satisfeito e orgulhoso por ter sido severo e demonstrado sua autoridade, deixando o aprendiz matutando:

- Puxa vida! Eu queria explicar ao Mestre que esta pedra está aqui desde quando ELE ERA APRENDIZ E, NA PRESSA DE AUMENTAR O SEU SALÁRIO, NÃO A DESBASTOU CONVENIENTEMENTE.
Todas as minhas pedras foram aproveitadas na obra, razão pela qual meu avental está sujo e minhas ferramentas desgastadas pelo uso. Além disso, estou no meu horário de descanso e aproveitava o tempo para concluir o desbaste desta pedra que está aqui desde a promoção do Mestre.
O Mestre deve ter razão e deve estar muito preocupado com seus afazeres para se importar com uma simples pedra bruta.
O melhor mesmo é terminar esta pedra e deixá-la pronta para o polimento.
Pensando melhor,
não seria mais conveniente eu deixar esta pedra, que não é minha, de lado e preocupar-me em aumentar meu salário e ser igual ao Meu Mestre?

segunda-feira, 8 de setembro de 2008

A PARTICIPAÇÃO DA MAÇONARIA NA INCONFIDÊNCIA E PROCLAMAÇÃO DA REPÚBLICA


A.·. G.·. D.·. G.·. A.·. D.·. U.·.
Participação da Maçonaria nos movimentos de emancipação dos povos em todos os continentes é notória. A história universal descreve com abundância de fatos os eventos cuja realização só foi possível através da iniciativa maçônica, ou por meio de maçons proeminentes. Na história do Brasil, em todas as fases da consolidação da Colônia em Nação, não faltou em nenhum momento a orientação da Maçonaria, que ora passamos a apresentar.
A independência
A Inconfidência Mineira, movimento que tinha caráter autonomista surgiu em Vila Rica, sendo sede da capitania de Minas Gerais, ocorrida no ano de 1789, emergido por força de descontentamento e atrocidade perpetrada pelo Reino de Portugal contra o povo em geral.
Foi um dos marcos precursores do movimento revolucionário da Independência e Proclamação da República que tiveram como baluarte o caminho da Tríade LIBERDADE, IGUALDADE E FRATERNIDADE que eram pregadas nas centenas de Lojas em território francês, onde foi planejada a Revolução Francesa, bem como a libertação dos mineiros no Brasil.
Podemos assegurar sem sombra de dúvida que, ao atentarmos na sua bandeira, os objetivos eram a LIBERDADE, IGUALDADE, pela educação do homem com a criação da sua universidade e FRATERNIDADE pela união dos brasileiros que lá estavam em termos de um ideal supremo, ou seja, a constituição de uma pátria livre.
A Maçonaria não só contribuiu significativamente com o movimento de Minas, mas com toda a história dos movimentos Republicanos Regionais, que antecederam e culminaram com a nossa Independência.
Grandes mártires defenderam a posição de autonomia e moral que deve nortear e ter o Povo, como o direito indelével que deve perpetuar a relação Estado Sociedade, mas somente conseguiram após muita luta e derramamento de sangue, o que na atualidade é inaceitável.
Dentre os intelectuais, militares, religiosos e liberais que aderiram ao movimento contra o desmando do Reino de Portugal, podemos citar de acordo com os grandes historiadores os seguintes: Tomás Antonio Gonzaga e José Álvares Maciel, Cláudio Manoel da Costa, Inácio José de Alvarenga Peixoto, Tenente Coronel Freire de Andrade, Sargento Mor Luís Piza, Cônego Luis Vieira, Padre Rolim e Carlos Toledo, e finalmente o Alferes (atual 2º Tenente) JOAQUIM JOSÉ DA SILVAXAVIER, mais conhecido como TIRADENTES. Pela sua atividade esporádica na extração da dentes de colonos e escravos na época que arregimentavam adeptos à causa. Chegaram a fundar Lojas em Minas, Rio de Janeiro e São Paulo, onde se faziam reuniões e traçavam-se planos para a rebelião.
Não se pode negar que a nossa Independência teve a sua origem no movimento iniciado no Arraial do Tijuco, hoje Diamantina, que rapidamente se ramificou em todo o território brasileiro. Posteriormente alcançou seu ponto alto de realização em Vila Rica, hoje Ouro Preto, na época sede da Capitania de Minas Gerais.
O fracasso do movimento da Inconfidência Mineira começou com a delação e traição, levada a efeito por três portugueses que eram favoráveis à Coroa do Reino de Portugal. Foram eles, Joaquim Silvério dos Reis, Basílio de Brito Malheiro do Lago e Inácio Correia Pamplona, que não eram maçons, mas Goteiras infiltrados no movimento.
Com a morte de Tiradentes em 21 de abril de 1792, o movimento não se dissipou, mas sim deu origem a outro, que já estava em ascensão, ou seja, a Independência, haja vista a corrupção avassaladora que tomava conta do País.
O Estado que tinha o dever de preservar a moral e os bons costumes, a conduta social e a liberdade, a igualdade e a fraternidade, não conseguiam mais conter os desmandos que assolavam a sociedade. A partir desse momento, passamos a cultuar a filosofia e a audácia dos grandes pensadores da época, tais como, Jean Jacques Rousseau, Voltaire e José Bonifácio de Andrada e Silva, entre outros, que pregavam a liberdade e a tolerância, sendo eles guardiões dos princípios basilares da cultura e da emancipação do povo.
Existia naquele período, uma disputa entre duas facções pela iniciativa da Independência. Um grupo liderado pelo IIrm.·. Andrada e Silva à testa da MAÇONARIAAZUL que fazia parte do lado dos liberais com pensamento na Independência, e outro de liderança do Ir\Gonçalves Ledo à testa da MAÇONARIA VERMELHA, grupos que tinham opiniões antagônicas acerca das posições e medidas concretas que o governo a ser criado deveria adotar.
A Maçonaria No Brasil
Em Portugal e no Brasil, coube à Maçonaria francesa a sua difusão, já que nessas regiões os interesses ingleses estavam assegurados, não encontrando quase obstáculo à sua penetração comercial o que não significou, que não tenham surgido Lojas Maçônicas de influência inglesa, sendo certo que determinados núcleos ingleses mais conservadores que os de orientação francesa, mostraram-se isentos em relação à luta da Independência.
idos de 1.788, houve notícias de Lojas Maçônicas no Brasil que foram introduzidas com idéias iluministas de parte de estudantes brasileiros na Europa, que tinham ido estudar na Universidade de Coimbra, como complemento de cursos em França e Inglaterra. Entre eles podemos citar o IIrm.·. Andrada e Silva e particularmente os IIrm.·. José Joaquim da Maia, José Alves Maciel e Domingos Vidal Barbosa entre outros, que estudavam na cidade de Montpellier, foco da Maçonaria francesa.
No Brasil, a Independência teve como objetivo máximo o movimento encabeçado pelo IIrm.·. Andrada e Silva, o liberalista. As Lojas Maçônicas proliferaram com relativa segurança mesmo diante das perseguições da Coroa, mais precisamente nos Estados de Pernambuco, Bahia, e Rio de Janeiro, que em sua maioria tinham estreitas ligações com o "GRANDE ORIENTE" francês que tinha interesse em que o Brasil se desligasse de Portugal.
No ano de 1.817, a Maçonaria sofreu as mais severas reprimendas por parte da Coroa Portuguesa. Entretanto, seus esforços foram infrutíferos, pois a Maçonaria continuava a disseminar entre seus membros, ativo trabalho da propaganda emancipadora.
Quando do retorno do patriarca da Independência o IIrm.·. Andrada e Silva, diante das exigências descabidas de D. Pedro I, e dos desmandos da Coroa, aceita o manifesto da lavra do IIrm.·. Gonçalves Ledo, cabendo aquele IIrm.·. redigir outro manifesto, agora destinado ao conhecimento das demais nações. Com a atitude de liberdade lhe dada pelo IIrm.·. Andrada e Silva escreveu a D. Pedro I o seguinte: "A sorte está lançada, e de Portugal não temos que esperar senão escravidão e horrores”.
Em 09 de janeiro de 1.822, na sala do trono e interpretando o pensamento geral, cristalizado nos manifestos dos fluminenses e dos paulistas e no trabalho de aliciamento dos mineiros, o Maçom José Clemente Pereira, presidente do Senado da Câmara, antes de ler a representação, pronunciou inflamado e contundente discurso pedindo para que o Príncipe Regente permanecesse no Brasil.
A resposta do Príncipe Regente foi dada em 7 de Setembro de 1822, destruindo assim de vez todo elo com Portugal. Estava formalizada e concretizada A INDEPENDÊNCIA DO BRASIL.
A alusão às hostes Maçônicas era explícita e D. Pedro I conheceu-lhe a força e a influência, entendendo o recado e permanecendo no Brasil. Este episódio, conhecido como o Dia do Fico, marcou a primeira adesão pública de D. Pedro I a uma causa brasileira.
Portanto, podemos assegurar que se nos dias de hoje está difícil atuar politicamente, imaginem os IIrm.·. a tamanha dificuldade naquela época. Podem avaliar o que sente nosso povo porque também fazem parte dele, o exemplo dos abnegados e incansáveis idealistas IIrm.·. Gonçalves Ledo e José Bonifácio de Andrada e Silva. Que eles sejam as centelhas no peito de cada um, formando fileiras e transformando-se, cada um numa coluna que hoje sustentam as Lojas, para que juntas, sustentem a nação livre de nossos sonhos.
Em 17 de junho de 1.822 - a Loja Maçônica, "Comércio e Artes na Idade do Ouro" em sessão memorável, resolve criar mais duas Lojas pelo desdobramento de seu quadro de Obreiros, através de sorteio, surgindo assim as Lojas "Esperança de Niterói" e "União e Tranqüilidade", se constituindo nas três Lojas Metropolitanas e possibilitando a criação do "Grande Oriente Brasílico ou Brasiliano", que depois viria a ser denominado de "Grande Oriente do Brasil".
Ao finalizarmos o segundo movimento revolucionário brasileiro, temos o refrão de Joaquim Osório Duque Estrada, que se aplica corretamente no presente, quando diz na letra do Hino Nacional:
"EM TEU SEIO, ó LIBERDADE, DESAFIA O NOSSO PEITO A PRÓPRIA MORTE", tendo D. Pedro I nos legado "LIBERDADE... LIBERDADE.... ABRE ASASAS SOBRE NÓS" sempre, o auxílio do G.·. A.·. D.·. U.·.
Passamos agora para a Proclamação da República, que foi o último movimento revolucionário de tendência fortemente nacionalista, mas que teve várias passagens antes de se firmar e concretizar a Proclamação da República, que passamos a demonstrar aos nossos queridos IIrm.·.
A Revolução Pernambucana do ano 1817 teve o objetivo de implantar a República em Pernambuco tendo como seu inspirador e líder Domingos José Martins, maçom, nascido na cidade de Itapemirim no ano de 1781, no Espírito Santo, mas que se mudou para a cidade do Recife e através do Irm.·. Hipólito José da Costa foi iniciado. Este era "O Patriarca da Imprensa Brasileira", sendo amigo do IIrm.·. Francisco Miranda, líder da "Grande Reunião Americana". Foram os precursores do movimento da República, mas em confrontos com as forças governamentais da época foi derrotada e seus membros condenados à morte pela Coroa Portuguesa.
A Confederação do Equador, já com o Brasil independente e lutando pela sua unificação, encontramos na Província de Pernambuco os remanescentes da Revolução de 1817, que reagiram contra a prerrogativa do Imperador de escolher livremente o presidente da Província.
O líder dessa reação foi Joaquim do Amor Divino Rabelo e Caneca, popularmente conhecido como Frei Caneca. Maçom, jornalista e propagandista dos ideais republicanos, professor de filosofia, retórica e geometria. No seu jornal Tifis Pernambuco, proferiu intensa campanha contra o Imperador D. Pedro I, também maçom, desde a dissolução da Constituinte e a imposição e outorga da Constituição de 1824, a primeira Constituição do País independente.
A Revolução rompeu com o Império recém implantado, proclamou uma república com o nome de Confederação do Equador. Alastrou-se para as províncias vizinhas com o apoio das Lojas e dos Maçons da região.
A Revolução foi prontamente domada pelas forças governamentais, tanto que o presidente da Confederação, Manoel de Carvalho Paes de Andrade, também maçom, fugiu para os Estados Unidos favorecido pelas suas ligações maçônicas. Os demais líderes do movimento foram presos e em seguida enforcados.
Frei Caneca, no entanto, pelo seu carisma, autoridade moral e principalmente pela sua condição de sacerdote foi fuzilado, pois não encontraram nenhum carrasco que o enforcasse.
A Revolução Farroupilha iniciada no ano de 1835, como uma Revolução autonomista chefiada pelo IIrm.·. Bento Gonçalves da Silva, que tinha mais características de uma Federação do que um Estado Republicano, sendo que este Estado denominou-se República de Piratini ou República Farroupilha.
Ao contrário do que possa ter ocorrido no período regencial, a Revolução Farroupilha teve em seus quadros os melhores homens da política e da sociedade do Rio Grande do Sul, mas tinham a idéia de autonomia dentro dos quadros de uma Federação, que não era o desejo de Bento Gonçalves diante do conflito federalista e separatista.
Tendo sido implantada a República Farroupilha, esta nunca alcançou seus objetivos diante dos conflitos existentes, mas tinha em seu corpo tático de guerrilhas que conseguiram terminar parte das tropas da Coroa. Mas por ironia do destino, sofreram uma baixa imprevisível, que foi o confinamento do seu maior líder Bento Gonçalves, preso no Forte do Mar na Bahia. Mas que conseguiu fugir com a ajuda da Maçonaria baiana, assim como o outro líder Davi Canabarro, que tiveram ajuda das Lojas "UNIÃO E SEGREDO", que era dirigida pelo Cônego Joaquim Antonio das Mercês, sendo certo que Bento Gonçalves foi membro da Loja de Porto Alegre, "FILANTROPIAE LIBERDADE", onde foi iniciado.
Na Revolução de Farroupilha, outros dois grandes maçons tiveram participações em seu seio. Foram eles os liberais italianos Tito Lívio de Zambeccari e Giuseppe Garibaldi, tendo este último se sobressaído nos combates entre os anos de 1838 e 1841 quando da tomada de Laguna, com a ajuda de Canabarro, Garibaldi iniciou-se na Loja "ASILO DA VIRTUDE" no Rio Grande do Sul. Podemos notar que tivemos vários movimentos com a presença notável e gloriosa de nossos IIrm.·. maçons e de suas Lojas no sentido de dar ao povo "LIBERTAS QUAE SERA TAMEN" (Liberdade ainda que tardia), onde estava presente mais sonho do que realidade, mas que veio mais tarde a tornar-se realidade, pois LIBERDADE, IGUALDADE e FRATERNIDADE sempre foram o objetivo de todo homem livre e de bons costumes.
A Proclamação da República, a partir de então, estava praticamente concretizada, embora com certas divergências lembradas dos guardiões e IIrm.·. Joaquim Gonçalves Ledo e José Bonifácio de Andrada e Silva, que pertenciam ao "GRANDE ORIENTE". Mas por força de nomeação do príncipe regente, este último passou a liderar a implantação da República, embora o grupo de Ledo e Cipriano Barata procurassem a todo custo precipitar a ruptura total com Portugal ao passo que o outro grupo procurava manter laços de união com a Coroa, sem abdicar da autonomia conquistada.
Do Levante Republicano para a Proclamação da República
O Imperador, minado pela doença, era diabético, para não permitir a ascensão da Princesa Isabel e seu marido o Conde D'Eu resolve apressar o fim do Império diante da aclamação pela República que era simplesmente uma questão de tempo. O Império estava desgastado e ruía-se. Sua queda iniciou-se em 187O após a Guerra do Paraguai, onde mesmo o Brasil tendo saído vitorioso daquela campanha, o Exército, seu principal agente, não foi devidamente valorizado. Atento a este fato e outros fatores determinantes através dos meios militares e da Escola Militar, com adesão na Casa do Irm.·.·. Benjamin Constant, onde estiveram presentes os IIrm.·. Francisco Glicério de Campos Sales, começou o levante que deveria ocorrer negociando-se com Deodoro da Fonseca, para que ele fizesse parte da nova história do Brasil, tendo este aceito e assumindo o comando das tropas.
Proclamada a República em 15 de Novembro de 1889 pelo Marechal Deodoro da Fonseca, nomeando-se ele próprio, Chefe do Governo Provisório com um ministério totalmente Maçônico e filiado ao Grande Oriente do Brasil.
O ministério era composto pelos IIrm.·. Eduardo Campos Sales na Justiça, Wandenkolk na Marinha, Benjamin Constant na Guerra (Exército), Rui Barbosa na Fazenda (Finanças), Demétrio Ribeira na Agricultura, Quintino Bocaiúva nos Transportes e Aristides Lobo no Interior.
Em editorial da Gazeta da Tarde, edição de 15 de Novembro de 1889, foi publicado o seguinte:
“A partir de hoje, 15 de Novembro de 1889, o Brasil entra em nova fase, pois, pode-se considerar o fim da MONARQUIA, passando o regime francamente democrático, com todas as conseqüências da LIBERDADE".
Em mensagem ao novo governo, o Imperador D. Pedro I destinou o seguinte texto:
A vista da representação escrita que me foi entregue hoje, às 3 horas da tarde, resolvo, cedendo ao império das circunstâncias, partir com toda minha família para a Europa, deixando essa Pátria, de nós tão estremecida, à qual me esforcei por dar constante testemunho de estranho amor e dedicação, durante mais de meio século em que desempenhei o cargo de Chefe de Estado. “Ausentando-me, pois, com todas as pessoas da minha família, conservarei do Brasil a mais saudosa lembrança, fazendo o mais ardente voto por sua grandeza e prosperidade".
Estava assim finalmente Proclamada a República com LIBERDADE, IGUALDADE E FRATERNIDADE, presente em todas as casas dos cidadãos brasileiros, que sofreram o amargor da tirania da Coroa de Portugal.
No dia 19 de Dezembro do mesmo ano, Marechal Deodoro da Fonseca foi nomeado Grão - Mestre do Grande Oriente do Brasil. É o que temos para apresentar aos nossos queridos IIrm.·. nesse V- EMAC.
Fonte: Samaúma - Portal Maçônico
V Encontro Municipal de Apredizes e Companheiros de São Caetano do Sul.
A.·. R.·. L.·. S.·. Fraternidade de São Caetano
Rua José do Patrocínio, 288
Caixa Postal 110
CEP 09 501 970
Tel 4224.6588
Or.·. de São Caetano do Sul SP
Fundada em 19.05.1948
Venerável: Nilo Fernandes De Souza

sábado, 6 de setembro de 2008

MANIFESTAÇÃO DO INTERNAUTA


O texto abaixo me foi enviado por Dulce Insfran em manifestação ao post MULHERES NA MAÇONARIA.
Dulce Insfran é M.’.M.’. da Loja Mista Phoenix Nº. 25 jurisdicionada à Grande Loja Mista do Brasil.

O Blog da Maçonaria foi criado para o debate sadio a respeito da Ordem e está sempre aberto a manifestações de todos os seus leitores.



MANIFESTO DA GLADA: GRANDE LOJA ARQUITETOS DE AQUÁRIO




Redigido ao Oriente de São Paulo, em 20 de novembro de 2005

Às Potências Maçônicas Brasileiras,

Às Potências amigas,

À C:.I:.M:.A:.S:. Confederação Interamericana de Maçonaria Simbólica;

À CATENA, Instituição Internacional de Potências Mistas;

Ao C:.L:.I:.P:.S:.A:.S:. – Centro de Ligação e Informação das Potências signatárias do apelo de Strasburgo e à

Ao C:.L:.I:.M:.A:.F:. - Centro de Ligação Internacional das Maçonarias Femininas Aos Irmãos e Irmãs da GLADA e do Brasil em geral:

Vimos assistindo nestes últimos dias, através da internet, uma verdadeira enxurrada de denúncias caluniosas envolvendo maçons do sexo feminino, a Grande Loja Feminina da Maçonaria Brasileira, com sede em Mato Grosso, sua Grã-Mestra (Gassy Botelho) e seus representantes.

São ataques visivelmente destinados a enxovalhar, baseados em argumentos absurdos, cheios de sofismas, que mais parecem uma perseguição orquestrada por inimigos pessoais ou “plantados” para servirem de “munição”.

Vejamos os lamentáveis fatos:
Começam “acusando” um parente da Grã Mestra (Alexandre Botelho), de fabricar alfaias e vendê-las para as irmãs... Estarão, neste caso, cometendo algum crime ou contravenção todas as oficinas de alfaias maçônicas do Brasil, uma vez que todas são propriedade de maçons de potências masculinas?

Em seguida, “acusam” a Potência Feminina de cobrar Taxa de Iniciação. Talvez devessem os acusadores processar, então, o Grande Oriente do Brasil, as Grandes Lojas Estaduais, assim como todas as potências independentes do Brasil – e de todo o mundo -- pois todas, sem exceção, cobram taxas de Iniciação, uma tradição que remonta ao Egito, para uma cerimônia onerosa que envolve os obreiros de toda uma Loja ! Todos nós maçons sabemos que existem Lojas que cobram taxas elevadíssimas.

A próxima acusação – a mais absurda, a mais revoltante, a que mais demonstra a ignorância, a falta de cultura maçônica e a falta de cidadania – é a de que NÃO EXISTE MAÇONARIA FEMININA -- e portanto as Lojas femininas estão cometendo estelionato (SIC) ao iniciarem Irmãs !

Uma afirmação como esta, quando vem de um não-iniciado, ainda podemos entender, pois velhos inimigos da Maçonaria sempre espalharam as mais pitorescas mentiras sobre a Instituição, e o povo não instruído se deixa levar. Mas é simplesmente inadmissível que um maçom, vivendo no século 21, ainda ignore um fato onipresente no mundo atual, e tão intensamente divulgado, seja na mídia comum, seja na literatura maçônica. Se esta é a cultura maçônica que se ensina nas Lojas masculinas, concluímos, com profunda lástima, que a Maçonaria tradicional está em franca decadência.

O grande “acusador” das Lojas mistas e femininas ignora, com certeza -- como, aliás, o ignoram, infelizmente, numerosíssimos maçons brasileiros -- que o Grande Oriente do Brasil já fundou Lojas Femininas, dando-lhes Carta Constitutiva regular e transmitindo às Irmãs todos os rituais e segredos que são parte de qualquer Loja Maçônica do mundo. E isto aconteceu em 1871 ! Antes, bem antes que sonhassem os maçons brasileiros em fundar Grandes Lojas nas províncias do país. Havia Grãos Mestres de grande visão naquele tempo! Um dos maiores escritores maçônicos da atualidade, José Castellani, reconhecia a existência e o direito das lojas mistas e femininas, tendo inclusive visitado várias reuniões da GLADA, proferindo palestras. Citava com frequência um Juiz Federal de Brasília, que condenava a discriminação à mulher na maçonaria.

Convidamos os céticos a consultarem o Cadastro Geral das Lojas Maçônicas do Brasil, de Kurt Prober. As Atas e documentos relativos a este memorável evento estão guardados na Biblioteca e no Museu Maçônico do GOB, em São Paulo, onde surgiu a primeira dessas Lojas. No site da GLADA, há um Artigo com todos os detalhes deste e de outros fatos semelhantes no mundo. Também conclamamos os senhores acusadores – a ler uma publicação muito especial da Gran Loggia d’Itália, intitulada La Donna, il Sacro, l’Iniziazione (A Mulher, o Sacro, a Iniciação), súmula do 1° Fórum Internacional de Firenze, realizado em junho de 1994. O Herói de Dois Mundos, Giuseppe Garibaldi, foi o Soberano Grande Comendador do Grau 33 do REAA do Supremo Conselho de Palermo do Grande Oriente da Itália, da época, (cuja herdeira atual é a Grande Loja da Itália).

Garibaldi estimulou a iniciação de mulheres, tendo fundado várias lojas femininas, das quais a primeira a 25 de maio de 1864; ele iniciou a filha, Teresita, e muitas outras mulheres; consta que também iniciou sua segunda esposa, a brasileira Anita Garibaldi. Herói, e verdadeiro maçom, ele pertencia a um Supremo Conselho, cuja herdeira e continuadora é a Grande Loja da Itália, da qual fizeram parte o grande maçom Aldo Lavagnini – Magister, o grande físico atômico Enrico Fermi, o famoso comediante Totó, e um grande número de gente famosa da Itália, aliás, a potência que congrega mais lojas (1600 ativas), e mais obreiros naquele país. Maiores detalhes e bibliografia sobre este tema podem ser encontrados no site da GLADA. (www.glada.org.br Há numerosa bibliografia que documenta de maneira rica e ilustrada a presença da mulher nos rituais maçônicos em qualquer época que se queira procurar. Os maçons cultos a estudaram e hoje não caem no ridículo de negar uma realidade que está em toda parte do mundo. É como negar que o homem foi à Lua ou que existam mulheres ocupando alguns dos mais altos postos governamentais, culturais, científicos, esportivos, políticos e até militares.

Considerar “irregular” a loja ou potência que admite mulheres nos leva a outra ordem de considerações, pois se levarmos a sério essa pretensa “regularidade” , somente uma, uma única Potência Maçônica é “regular” em cada país, e no caso do Brasil, é o Grande Oriente do Brasil, sendo todas as outras “irregulares”... São normas ditadas pela senhora Grande Loja da Inglaterra, que se arrogou, não se sabe sob mandato de que arcanjo, o direito de somente ela dizer quem é regular ou não. Portanto, se algum dos senhores acusadores pertence a uma loja que não seja do GOB, é bom saber que vários Irmãos não foram recebidos em lojas inglesas, por serem “irregulares” e “não reconhecidos”! Isso aconteceu com o Irmão Eleazar de Carvalho, nosso famoso Maestro, filiado à loja Mozart, da GLESP, e ao próprio Ir:. Salim Zugaib, ex-Grão Mestre da GLESP, ao baterem na porta de uma das lojas da senhora Grande Loja da Inglaterra, em Londres. Que lindo exemplo de fraternidade!

E tudo isso graças a um preceito, ou Landmark, imutável (sic), inventado em 1717 por um profano de avental chamado Anderson (que confessou haver queimado documentos antigos, históricos e insubstituíveis, entre os quais, sobre participação da mulher nas antigas lojas), autor da frase lapidar, paradigma do ranço medieval de que estava impregnado: ”Não podem ser iniciados nem mulheres, nem aleijados, nem escravos”. A frase dispensa comentários, tão explícita e tão grotesca ela é por si mesma. Afirmar que qualquer coisa no universo seja imutável não é apenas anti-científico, mas contrário à própria idéia que a Maçonaria entende por progresso. Afirmar que nenhuma loja maçônica masculina no Brasil recebe uma irmã em suas reuniões, discriminando unicamente em razão do sexo, é uma confissão muito triste, que atesta o grau de atraso cultural em que se encontra nossa maçonaria tradicional. Típico de países do Terceiro Mundo, onde as conquistas democráticas só acontecem cem ou duzentos anos depois que o resto do mundo já as considera parte do seu quotidiano.

Só para citar um exemplo de como está atrasada a maçonaria brasileira : O Grande Oriente da França, uma das maiores e mais atuantes Potências Maçônicas do mundo e com uma enormidade de serviços prestados à humanidade, inclusive a criação da União Européia, já nos anos 50, propiciou, junto com a Grande Loja da França, a fundação da Grande Loja Feminina da França, que hoje conta com nada menos de dez mil obreiras.

O Direito Humano, potência MISTA fundada em 1893 – portanto mais antiga que todas as Grandes Lojas estaduais brasileiras – congrega mais de dez mil maçons, homens e mulheres. O Grande Oriente da França permite que suas lojas recebam a visita das irmãs em suas reuniões regulares (não só nas reuniões “brancas”, como se faz por aqui), oferecendo-lhes cargos, inclusive. Em muitas cidades francesas, há prédios maçônicos, contendo várias lojas, que são alugados a diferentes potências, sejam masculinas, femininas ou mistas, que se apoiam mutuamente, o mesmo ocorrendo em Nova Iorque.

Há na França cerca de 100 mil maçons, dos quais apenas 10 mil são ligados à única potência reconhecida pela Grande Loja da Inglaterra. Os restantes 90 mil, os pretensos “irregulares ou selvagens”, são independentes. Destes, perto de 50 mil pertencem ao Grande Oriente da França. Os “rebeldes” são hoje 90%. E não é diferente no resto do mundo civilizado, o que deu margem à afirmativa de toda comunidade maçônica liberal da Europa que costuma dizer que “a maçonaria tradicional são os nobres decadentes, e a maçonaria liberal, os selvagens emergentes”..

Passemos a outra “acusação”: a Grã Mestra da Grande Loja Feminina sediada em Mato Grosso recebeu (ou recebe) uma ajuda de custo, por conta de seu cargo.. Talvez os acusadores queiram também processar os demais grãos-mestres de todas as restantes potências brasileiras, pois todos eles recebem subvenções a esse título. Algumas consideravelmente mais gordas, por sinal, do que a ridicula retirada mencionada. Também seria interessante que se lembrasse que muitos Grãos Mestres dispõe de carros fornecidos por suas obediências para o exercício do cargo. . De resto, há uma quantidade desconhecida, mas certamente grande, de lojas maçônicas ditas “regulares”, masculinas, que sequer têm registro em cartório. É claro que tais lojas não possuem CNPJ, e nem conta bancária em seu próprio nome.

Outra: acusam a potência feminina do Mato Grosso de ter-se “apropriado” de rituais maçônicos das potências masculinas. É uma espécie de acusação de plágio. Nunca houve na Maçonaria, porém, qualquer coisa parecida com “direitos autorais”. Nenhum verdadeiro iniciado gravou seu nome num ritual; é um trabalho discreto e anônimo doado à humanidade, preservando textos de valor humanístico, moral e social, escritos por grandes homens. É uma tradição passada de geração a geração, freqüentemente de boca a ouvido, sendo que em certos ritos, é praticada totalmente de memória, sem qualquer ritual escrito. Esta tradição vem desde as Iniciações no antigo Egito.

Todos os rituais que hoje se usam na maçonaria provieram de rituais mais antigos, guardados por herança espiritual, durante séculos. Maçons passam a outros maçons as práticas, os ensinamentos morais e o significado dos símbolos, é assim que funciona e sempre funcionou a Maçonaria. Isto é de conhecimento geral na Ordem, nenhum maçom autêntico ignora este fato, portanto tal acusação deve ter sido levantada por um profano. Então esclarecemos a este profano que os rituais maçônicos podem ser encontrados nas livrarias, em enciclopédias maçônicas, e até em bibliotecas públicas -- todos os graus, até o 33.

Não é a leitura do ritual que faz o maçom. Também não é ser recebido numa loja, nem usar o avental, nem ter carteirinha. É a Iniciação que faz o maçom, e ela é uma experiência pessoal, transcendente, individual e intransferível. Iniciação é uma oportunidade de elevação espiritual, que nem todos aproveitam – e é por isso que há maçons que continuam sendo profanos, como o citado Anderson, mesmo portando os mais elevados graus. Enquanto que muitos profanos são grandes maçons (construtores), por seus nobres atos, embora nunca tenham entrado numa Loja Maçônica Mas já que a acusação foi feita, saibam todos que os rituais do Grande Oriente do Brasil e das Grandes Lojas foram baseados nos rituais franceses e ingleses. Estes, por sua vez, foram copiados de tradições mais antigas, compiladas sob o nome de “old charges”, que foram copiadas de práticas dos construtores romanos desde Numa Pompílio, que foram copiadas de papiros egípcios, os quais provavelmente são cópia de litografias Atlantes, os quais... Anderson, que extrapolava suas crenças religiosas de maneira grotesca, dizia que Adão, o primeiro homem na Terra, já era maçom, portanto, muito cuidado, Adão poderá um dia ressurgir das cinzas e processar todos os maçons do mundo por terem plagiado suas plaquinhas de barro! Uma outra “acusação” menciona que essa potência feminina teve início numa igreja, ou centro de culto. Cremos que é uma origem honrosa, pelo menos. Membros de seitas variadas no Brasil foram fundadores de lojas maçônicas, e isso não os desabona, nem torna irregulares tais lojas. Gostaríamos de lembrar aos inquisidores dessa pitoresca moção que a Grande Loja da Inglaterra – a única regular, a santíssima, a pura e casta grande mãe da maçonaria tradicional em todo o mundo, o modelo de virtude, com seus venerandos e imutáveis Landmarks – teve uma origem muito menos nobre: suas quatro lojas fundadoras nasceram em quatro tabernas londrinas, lugares de péssima reputação.

A acusação seguinte levanta a questão da quase vitaliciedade da atual Grã-Mestra da Grande Loja Feminina em questão (gestão de 40 anos). Este costume tem antecedentes históricos. Nas Corporações de Ofício, das quais a maçonaria moderna teve origem, o Mestre que dirigia a Loja era vitalício e formava aprendizes e companheiros durante vários anos, e quando um companheiro chegava a um grau elevado de formação, recebia autorização para abrir sua própria loja, da qual se tornava o novo Mestre – também vitalício.
Alguém pode argumentar que o costume moderno é de eleições periódicas, com renovação dos nomes nos cargos de direção, e esse é, de fato, o estilo atual das potências pelo mundo, inclusive na GLADA. Mas, certamente, não é crime nem fere qualquer lei civil fazer constar nos Estatutos aprovados por assembléia, que o mandato da Grã-Mestra é de 40 anos. Sendo tais Estatutos devidamente registrados em Cartório, devem ser considerados de domínio público. Assim, a acusação de não exibir às candidatas os Estatutos antes de seu ingresso é bastante esdrúxula.

Não nos consta, aliás, que as potências masculinas tenham o costume de fazer ler aos candidatos, na íntegra, o material extenso de suas Constituições antes de sua Iniciação; não ocorre tal coisa nem mesmo quando se ingressa num clube, sindicato, escola, associação ou condomínio. Já mudar um Estatuto é atribuição das Assembléias da Ordem, onde tudo precisa ser votado. Quem não está de acordo com normas estatutárias aceitas pelas leis do país, deve desistir de pertencer à Ordem Maçônica, ou então, estando nela, lutar honestamente nas Assembléias por suas justas e legais idéias de mudança.

Enfim, tudo o que se vê nessa “denúncia” coloca em evidência que se usam dois pesos e duas medidas – um modo truculento de julgar as potências femininas ou mistas e outro, bem indulgente, para justificar as potências masculinas. Generalizamos a questão das potências mistas e femininas porque a acusação vai além das pretensas irregularidades da potência matogrossense, mas extrapola julgamentos (e condenações prévias!) para toda a maçonaria que admite mulheres. Isto prova que não está sendo questionada uma suposta contravenção naquela potência. O que está realmente em jogo, por trás da “denúncia”, é o preconceito contra as mulheres. A intenção oculta – nem muito oculta, aliás, para quem tem olhos para ver – é discriminatória. E a discriminação da mulher é, pela Constituição Brasileira, prática proibida, contrária à cidadania. É ilegal, passível de punição. Diríamos que também é imoral, principalmente vindo de quem prega a igualdade, a liberdade, a justiça, a tolerância, o direito, a democracia, etc., etc.. Essa discriminação, revoltante pelo seu conteúdo machista, lembra-nos os tempos não muito distantes em que a mulher teve que lutar, em campanhas cruéis, pelo direito de votar, sofrendo perseguições, prisão, não raro tortura e humilhações.

É bom que saibam os adversários da admissão da mulher na maçonaria que o Grande Oriente da Itália (potência masculina) foi processado na Justiça Italiana por recusar o ingresso das mulheres, e perdeu em três instâncias. Ele foi legalmente “condenado” a receber iniciandas. Se a moda pega, acionando o Ministério Público Federal (já que se trata de violação de direitos civís), não só o caso de Mato Grosso pode ter um final inesperado, mas toda a maçonaria masculina pode vir a ser obrigada a mudar aquele anacrônico e repulsivo landmark.

Talvez seja a hora de as brasileiras tomarem uma atitude, a fim de dar uma pequena lição de igualdade a estes hipócritas que dentro dos templos maçônicos exaltam as mais lindas virtudes e fora deles praticam exatamente o contrário. Será uma vergonha para a maçonaria, que sempre representou a vanguarda do pensamento humano, abrindo caminho para as idéias mais progressistas, ser a última instituição na Terra a admitir a igualdade de direitos da mulher, pelo qual, os nossos Irmãos do Século 19 já lutavam. O que fazem os de hoje ? Do jeito que andam as coisas, é provável que até a Igreja Católica mude primeiro, já que hoje em dia ela se tem destacado na defesa de direitos humanos e outros, enquanto a maçonaria tradicional “dorme em berço esplêndido”, cantando glórias do passado (de feitos realizados por outros), e se omitindo na atualidade.

Queremos agora, através deste Manifesto da GLADA, restabelecer a verdade sobre o reconhecimento das potências femininas e mistas ao redor do mundo. Há Organizações Maçônicas que congregam Potências de todos os países, sejam elas masculinas, mistas ou femininas. Algumas são bastante antigas, como a CATENA e o CLIPSAS, fundados em 1961. Outras são mais recentes e regionais, como a CIMAS (2002). O link para informações sobre elas se encontram no site da GLADA (www.glada.org.br) e merece ser consultado. CLIPSAS e CATENA juntos congregam mais de 60 potências maçônicas em 5 continentes. A GLADA, assim como a mencionada potência feminina do Mato Grosso, são signatárias de todas as citadas e mantêm Tratados bilaterais entre si.

Elas se reconhecem mutuamente e seus obreiros podem visitar-se nos respectivos países. Nenhum membro dessas organizações se escandaliza nem mesmo se surpreende ao ver uma mulher trajar um avental maçônico e participar em igualdade de condições dos trabalhos de uma Loja. Somos, portanto, muito bem reconhecidos, sim senhor, e não nos faz falta alguma sermos recebidos por maçons, lojas, potências ou autoridades maçônicas que ainda alimentam preconceitos tão ridículos e condenáveis contra a mulher.

Os trabalhos e estudos maçônicos desenvolvidos nas lojas da GLADA são tão profundos, tão ricos em cultura e de tão elevado nível que deixam embasbacados os visitantes das lojas masculinas. Ouvimos, mais de uma vez, Irmãos portadores dos mais elevados graus confessarem, com a maior sinceridade, ao terminar uma daquelas sessões econômicas, que para nós, não passa do pão-de-cada-dia: “Aprendi mais hoje nesta reunião de duas horas, numa Instrução de Aprendiz, do que em toda a minha vida maçônica de mais de 20 anos”. Não deixa de ser um melancólico atestado das poucas luzes que se recebem nas Lojas por aí.

Quanto à suposição de que a Maçonaria é uma só no mundo, e que se compõe exclusivamente por homens, citamos -- pela identidade com a nossa língua e pelo valor extraordinário desse maçom ilustre, o Dr. Antonio Arnaut – Grão Mestre do Grande Oriente Lusitano, membro do Conselho Superior da Magistratura e presidente da Liga Portuguesa dos Direitos do Homem, e ainda presidente da Associação Portuguesa de Escritores juristas, em sua excelente obra: Introdução à Maçonaria – “A Maçonaria não é uma Igreja e, por isso não existe um poder central único e uma autoridade supranacional. As Lojas, Oficinas ou Templos formam grupos que se administram a si mesmos, constituindo em cada país uma federação dirigida por um Grande Oriente ou Grande Loja, chamadas de Potências ou Obediências, inteiramente independentes, embora eventualmente ligadas por tratados”. E segue: “Em meados do Século XVIII Luisa de Kerruel fundava em França uma Loja do Rito Escocês, destinada exclusivamente a mulheres. Outras Lojas femininas se lhe seguiram, incluindo em Portugal. A grande Loja Feminina de Portugal está filiada ao CLIMAF, Centro de Ligação Internacional das Maçonarias Femininas”.

São membros atuais do CLIMAF: www.glfs-masonic.ch/Docs/docuf/CLIMAF-F.htm, a Grande Loge Féminine d'Allemagne; a Grande Loge Féminine de Belgique; a Grande Loge Féminine de France; a Grande Loge Féminine d'Italie; a Grande Loge Féminine du Portugal e a Grande Loge Féminine de Suisse. Ainda sem filiação: Afrique - Phare des Amazones (GLFF) e USA - Aletheia - New York (GLFB).

E isto é somente uma pálida imagem de apoio à maçonaria feminina no mundo, e sem relacionar as 60 Potências masculinas, femininas e mistas filiadas ao CLIPSAS e CATENA. Há inúmeras outras não filiadas. Antes de encerrar este Manifesto, queremos expressar nossa profunda preocupação com a falsa imagem que alguns maçons fazem da Instituição, considerando-a intocável e acima da Lei, facultando a seus filiados praticar atos iníquos, protegidos por algum tipo especial de imunidade.

Para ilustrar este comportamento, vamos expor um fato que ocorreu numa das lojas da GLADA, a Olho de Hórus n° 35, sediada em Picos, Piauí. Seu Venerável, Ir:. Francisco Ferreira da Silva, edificou e decorou, a suas expensas, um templo maçônico para servir de sede à Loja. Vândalos vieram destruir, a marretadas, por dentro e por fora, esse templo, queimando arquivos, móveis, alfaias e documentos. Testemunhas presenciaram o crime e reconheceram nos depredadores vários maçons da localidade, vinculados a potências masculinas, contando, inclusive, com a participação do próprio prefeito da cidade, Sr. José Neri. O caso foi aos tribunais, e finalmente o Ir:. Ferreira venceu a questão, sendo a prefeitura condenada a pagar-lhe uma indenização por perdas e danos materiais e morais (mais de R$ 100 mil). Não bastasse isso, os Irmãos da Loja Olho de Hórus e até seus candidatos vêm sofrendo intimidações e ameaças. Para quem quiser saber maiores detalhes, e mesmo fazer doações, basta dirigir-se à Loja Maçônica Olho de Horus : Rua: Santo Inácio, n° 343 - Bairro Bomba CEP: 64.600-000 – Picos- PI -CNPJ 03.595.326/0001-05. Seu email: lojaolhodehorus@bol.com.br. Movidos por ódio irracional e pelo puro preconceito contra uma Loja que admite mulheres, esses maus maçons chegaram ao extremo de vandalizar a propriedade particular de um Irmão. Ferreira, aliás, foi iniciado numa Loja masculina – dita “regular”, da qual se desligou, junto com outros, após ter presenciado coisas ainda piores que esta. A indenização ainda não foi paga, e ficamos a imaginar as pressões que a justiça local deve estar sofrendo para retardar o pagamento da indenização; enquanto isso, a Loja passa por dificuldades. Haverá em algum lugar, quem sabe entre os bons maçons, uma alma fraterna que reconheça o horror que tal situação representa para a imagem da maçonaria, e se disponha a ajudar nosso Irmão Ferreira a reconstruir sua Loja ? Até quando teremos de suportar e assistir a tais espetáculos de violência e obscurantismo ? Diante desses crimes reais, escandalosos e graves, não seria o caso de acionar o Ministério Público Federal para investigar os fatos acima relatados, e inclusive intervir no caso com a respectiva Corregedoria? Lembrando uma conhecida Escritura, não é o caso de, antes de apontar o argueiro no olho do vizinho, descobrir a trave que está no seu próprio?

Preocupa-nos, assim como ao sábio Kofi Annan, Secretário Geral da ONU, (cujas recentes declarações puseram em evidência este fato lamentável), o recrudescimento da intolerância no mundo. O dever da maçonaria é lutar contra ela, conforme se prega nas Lojas, e não estimular que ela cresça ainda mais.

Vamos finalizar citando a declaração conjunta assinada em dezembro de 1988 por 4 obediências Belgas – Grande Loja Feminina da Bélgica, Grande Loja da Bélgica (masculina), Federação Belga do Direito Humano (mista) e Grande Oriente da Bélgica (masculina) – cujos termos são os seguintes:
"Co-herdeiras de vários séculos de história maçônica, durante os quais tantos maçons ilustraram a história de nossas regiões, as Obediências signatárias declaram participar da mesma ordem inciática, tradicional e universal, que, baseada na Fraternidade, constitui, sob o nome de Franco-Maçonaria, uma comunidade de pessoas probas e livres; embora conservando cada uma sua soberania e sua autonomia de decisão, as Obediências constatam que, para além da sua diversidade e da variedade de suas Lojas, elas têm em comum:

1. A iniciação e a prática do método simbólico;
2. A preocupação de trabalhar pela melhoria da condição humana sob todos os aspectos;
3. A defesa da liberdade de consciência, de pensamento e de expressão;
4. A busca da harmonia entre todos os seres humanos pela conciliação dos opostos; e
5. A rejeição de todo dogma."

É assim que a Maçonaria se vê no mundo moderno; ela evoluíu, deixou de cantar os feitos e as glórias pretéritas (um costume bem brasileiro) e torna a participar dos eventos sociais e políticos do mundo – unida, forte, coesa, sem dogmas, sem preconceitos, e sem grilhões medievais – mas sobretudo preocupada com a melhoria da sociedade humana, e não com as picuinhas, os egos, os machismos e as questiúnculas sobre supostas “regularidades”.

É o progresso, enfim. Para uma Instituição que sempre pregou ser progressista e vanguardeira, ele já vem tarde. Para nós, no Terceiro Mundo, talvez venha tarde demais.

Ao enviar este Manifesto às Potências Maçônicas brasileiras – tradicionalmente masculinas – esperamos que todos tenham a sabedoria de fazer uma avaliação madura dos fatos. Dessa reflexão, nascerá a escolha entre a verdadeira fraternidade maçônica, de um lado, ou de outro, uma possível guerra jurídica desgastante, cujas proporções apenas adivinhamos, mas que certamente deixará um rastro de vergonha que atingirá não apenas todos os maçons, mas a própria Instituição em si. Isto só serviria para dar munição aos inimigos da Maçonaria, e está claro que nenhum de nós deseja isto. Devem, porém, as Potências masculinas vigiar mais atentamente suas lojas, tomando imediatas providências, e até mesmo eliminando-as e aos seus obreiros, quando praticarem atos de violência, prepotência, perseguições, arbitrariedades e ilegalidades.

Vera Facciollo – Grã Mestra da Grande Loja Arquitetos de Aquário (Potência Maçônica Soberana, Mista, que só obedece a Constituição e as Leis justas de nossa pátria - Brasil)

Para maiores informações atualizadas sobre a história e a filosofia maçônicas, visite os seguintes sites:
Grande Loja da Itália: http://www.granloggia.it/;
Grande Oriente da França: www.godf.org Especificamente sobre a questão da convivência MISTA: Foire aux questions; Pourquoi la mixité ? http://www.godf.org/faq_autre.html#6.

Às vítimas de violações de direitos (como é o caso do Ir:. Ferreira, no Piauí), recomendamos acionar:
Comissão de Direitos Humanos ... denúncias de violações de direitos sociais, políticos, civis, culturais, econômicos, assim como dos direitos dos idosos: www.camara.gov.br. Para violações de direitos civis e humanos pode-se também acionar a ONU, UNESCO, OEA, etc.

Em nome da GLADA e de suas Lojas Federadas, enviamos a todos o nosso T:.F:.A:.

Vera Facciollo – 33º - Soberana Comendadora Grã Mestra Geral