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segunda-feira, 14 de julho de 2008

POR DENTRO DA MAÇONARIA

A Ordem fraternal tem sido, desde muito tempo, o alvo de teorias de conspiração e boatos. Aqui está a verdadeira história
Por Jay Tolson
A década de 1820 parecia ser a melhor época para o relacionamento especial entre a ordem fraternal da Maçonaria e a jovem nação americana. Não era só porque muitos dos proeminentes membros da geração fundadora -George Washington, Benjamin Franklin e, na realidade, 13 dos 39 signatários da Constituição- tinham sido membros. Era também porque a república em rápido crescimento e a sociedade fraternal ainda tinha muitos ideais em comum. Os valores republicanos americanos pareciam-se com valores maçônicos expressos: atitude cívica honorável, alto apreço pelo aprendizado e o progresso, e o que poderia ser chamado de uma religiosidade ampla e tolerante. Na verdade, diz Steven Bullock, um historiador do Instituto Politécnico de Worcester, e um professor líder da fraternidade maçônica na América, os maçons "ajudaram a dar à nova nação um núcleo simbólico".
Não é por nada que o compasso, o esquadro e outros emblemas associados à Maçonaria estampados por todos os lados, mesmo em jóias, mobiliário e jogos de mesa pertencentes a maçons e também a não-maçons. Nem foi insignificante que um grande número de Americanos pensassem - erroneamente, mas justificadamente - que o Grande Selo dos Estados Unidos em si contivesse símbolos maçônicos. Era tanto um tributo e uma responsabilidade da irmandade que as pessoas vissem a influência da Maçonaria, mesmo onde ela não existia.
Desde a Revolução, os maçons se tornaram os celebrantes semi-oficiais da cultura cívica americana. Usando seus aventais distintivos e manejando as colheres de pedreiro - os Maçons originais eram de fato, pedreiros - eles rotineiramente lançavam pedras fundamentais de importantes edifícios governamentais e igrejas, e participavam destacadamente em paradas e outras cerimônias públicas. Quando o velho Lafayette retornou aos Estados Unidos em 1824-25, membros da "ordem" (como é chamada a maçonaria) saudaram publicamente seu companheiro maçom, convidando-o com freqüência para ficar na loja local. Esta viagem incrementou a adesão à Maçonaria, que cresceu de 16.000 em 1800, para cerca de 80.000 em 1822, ou quase 5 por cento da população masculina elegível da América.
Como, então o que parecia ser a melhor época para a Maçonaria, rapidamente se tornou o pior dos tempos? Parte da resposta pode ser encontrada na reação dividida do público à viagem de Lafayette, sugere o historiador Mark Tabbert, curador de coleções maçônicas e fraternais no National Heritage Museum em Lexington, Mass., em seu novo livro, American Freemasons: Three Centuries of Building Communities (Maçons Americanos: Três Séculos Construindo Comunidades). Para muitos cidadãos, estas demonstrações públicas de afeição fraternal para com um nobre estrangeiro pareciam ter um cunho tanto elitista quanto conspiratória. Muito simplesmente, escreve Tabbert, eles "levantaram a suspeita de que a ordem ser uma ordem internacional com segredos e um passado revolucionário radical".
Não tão secreta. Não foi a primeira vez que a Maçonaria teria deparado com tal resposta. Desde seu nascimento como movimento fraternal organizado no início do século 18, em Londres até hoje, a Maçonaria tem sido objeto de ampla curiosidade e intensa suspeição ocasional. Com seus elaborados rituais secretos, seu envolvimento tanto com a sabedoria antiga quanto a ciência e a razão do Iluminismo moderno, e a relativa exclusividade de seus membros (os candidatos precisam pedir para entrar e, em seguida, são vetados ou aprovados por meio de voto), a irmandade maçônica provou ser na medida para os criadores de teorias de conspiração e autores oportunistas ansiosos para faturar "expondo" com imaginação as maneiras secretas e as ambições ainda mais secretas da ordem. Se o "grande segredo" dos Maçons, como disse uma vez Benjamin Franklin, "é que eles não têm nenhum segredo", àqueles que sugerem o contrário - incluindo a fama do escritor Dan Brown do Código Da Vinci por sua próxima novela, A Chave de Salomão - raramente falta público receptivo.
A verdadeira história da Maçonaria é, discutivelmente, mais interessante que todos os contos tecidos ao redor dela. Mas aquela história é pelo menos em parte, a história de muitas interpretações fantasiosas da irmandade. Na verdade as realizações substanciais dos Maçons -na formação de cidadãos sólidos, forjando redes sociais, fazendo a ponte entre certas divisões sociais, apoiando causas filantrópicas - são as mais admiráveis em face de esforços passados em difamar ou mesmo destruir a organização.
Um destes esforços surgiu em um amplo movimento social e político na América, menos de dois anos após o périplo triunfante de Lafayette, embora este esforço tivesse sido amplamente desencadeado pelos intrigantes, ou algo mais criminoso, de diversos membros nova-iorquinos excessivamente zelosos. No verão de 1826, na cidade de Batávia, no norte do estado, um irresponsável insatisfeito, alegando ser maçom, William Morgan declarou sua intenção de publicar um livro revelando os segredos da sociedade maçônica de alto grau, o Arco Real, que tinha, anteriormente vetado sua proposta de entrada na ordem. Preso duas vezes por acusações fabricadas por maçons locais, o pretenso expositor foi misteriosamente raptado e expulso do país ou morto. Foram levantadas acusações contra os prováveis suspeitos, todos Maçons, mas após cerca de 20 julgamentos, escreve Bullock em seu livro Irmandade Revolucionária: A Maçonaria e a Transformação da Ordem Social Americana, 1730-1840, " somente um punhado de condenações resultaram, todas seguidas de curtos períodos de prisão". Para um crescente número de Americanos, já precavidos contra o poder da ordem, pareceu que os Maçons tinham se safado com o assassinato. E para muitos destes mesmos americanos, tudo o que proeminentes ministros evangélicos tinham dito contra os Maçons - que eles eram deístas ou acreditavam em religião "natural" ou cultos necromânticos - parecia ser confirmado por este ato sinalizador de comportamento desonesto.
Os "comitês Morgan" que originalmente se propuseram a estabelecer a verdade sobre o crime logo tornaram-se a ponta de lança de um movimento em nível de estado e, em seguida, um Partido Anti-Maçônico nacional dedicado a eliminar os Maçons. Pennsylvania e Vermont elegeram governadores Anti-maçônicos, e o ex-Procurador Geral dos EUA, William Wirt candidatou-se a presidente pelo partido em 1832, vencendo a votação em Vermont e obtendo cerca de 8 por cento do voto popular nacional.
O partido logo desapareceu à medida que os partidos Democrático e novo Whig aumentaram seus esforços organizacionais para dominar a cena política Nacional. Mas além de fornecer um modelo para futuros movimentos americanos de questão única, desde o abolicionismo à temperança, até o Partido Verde atual, o movimento anti-maçônico quase eliminou a fraternidade. O Estado de New York abrigava cerca de 500 lojas locais em meados de 1820, mas somente 26 lojas reuniam representantes para comparecer às reuniões da grande loja estadual em 1837. Quase dois terços das lojas de Indiana foram fechadas no mesmo ano. Até o final da década de 1830, a Maçonaria estava começando um lento retorno, mas como escreve Bullock, "ela nunca mais recuperaria a posição exaltada que a Maçonaria já tinha justamente merecido".
Como a Maçonaria tinha chegado a tal posição exaltada na vida pública americana, brevemente, para perdê-la antes de recuperar um manto menos importante de respeitabilidade, é uma história que começa na Escócia e Inglaterra. Descendentes de guildas medievais de pedreiros, as lojas do século 17 na Inglaterra ainda eram dominadas por maçons reais (ou "operativos") que gradualmente acolheram em suas fileiras, geralmente como patronos, cavalheiros selecionados, desde que eles jurassem lealdade à coroa e fé em Deus. Estes membros "aceitos" eram atraídos pelo caráter sociável das fraternidades (que tipicamente se reuniam em bares e tavernas), e também por rituais particulares e sinais que tinham, anteriormente, ajudado os artesão a proteger segredos de sua arte. Os vínculos da Maçonaria com a arquitetura antiga, a geometria e outras artes e ciências racionais aumentou sua atratividade para homens que participavam de, ou acompanhavam de perto o desenvolvimento da moderna ciência experimental.
Buscadores da Sabedoria. À medida que membros aceitos vieram a dominar as diferentes lojas, muitos dos quais também eram membros da Sociedade Científica Real da Inglaterra, o foco da vida fraternal mudou para considerações filosóficas (ou "especulativas") e a exploração de conexões entre novas leis da natureza descobertas e a sabedoria de civilizações antigas. "Eles estudavam arquitetura Grega e Romana, e o Templo do Rei Salomão", escreve Tabbert, "buscando as chaves para desvendar as verdades perdidas de civilizações antigas." Na verdade, as genealogias altamente mitologizadas da Maçonaria, davam, com freqüência, ao templo que Salomão construiu em Jerusalém em 967 a.C, um lugar proeminente na tradição Maçônica. As diferentes características arquiteturais do templo e a história de seu pretenso chefe construtor, Hiram Abiff, se tornaria o centro da sabedoria simbólica e rituais de iniciação da fraternidade.Na América, a Maçonaria foi avidamente abraçada tanto pelo estabelecimento cavalheiresco quanto por membros das classes comerciais e de artesãos que aspiravam àquele estabelecimento. Na verdade, a Maçonaria encorajou movimento social e uma elite mais inclusiva através da educação, o cultivo de polidez e honra, assistência mútua, rede social de contatos e tolerância com diferenças no delicado assunto da religião. (Esperava-se que os irmãos honrassem "aquela religião em que todos os homens concordam [isto é, acreditar em um "Deus beneficente"], deixando suas opiniões particulares para si mesmos", escreveu o escocês James Anderson, um ministro Presbiteriano que, em 1723, publicou as Constituições dos Maçons, o primeiro registro oficial da Grande Loja).
Alpinistas sociais. Até a Revolução, homens de caráter, talento e ambição usaram a Maçonaria para subir na escada social. Antes de sua famosa viagem, Paul Revere era conhecido como proeminente prateiro e Maçom. Um amigo de Boston, um afro-americano livre e um dono de selaria chamado Prince Hall, astutamente avaliaram os benefícios da fraternidade. Em 1775, ele e 14 outros afro-americanos foram iniciados em uma loja militar Inglesa. Hall e diversos outros irmãos fundaram sua própria loja durante a Revolução. A Maçonaria Prince Hall, como foi chamada após a morte de Hall em 1807, espalhou-se para Rhode Island, Pennsylvania, e mais além, para tornar-se um poderoso crisol de liderança afro-americana, mesmo enquanto oferecia caridade e outro suporte à comunidade negra. Embora afro-americanos possam ingressar em qualquer loja, a Maçonaria Prince Hall permanece uma parte vital - e ainda separada - da tradição maçônica americana.
Após a Revolução, relutantemente rompendo os laços com as grandes lojas de Londres (Os maçons realmente acreditavam que seus laços fraternais transcenderiam a política), as lojas americanas se reorganizaram sob grandes lojas estaduais. A Maçonaria também começou a mover-se para o interior do país, promovendo conexões comerciais e outras entre cidades costeiras e a fronteira que avançava continuamente.
A Maçonaria na América é uma história de sucessivas reinvenções, diz S.Brent Morris, um estudioso de Maçonaria e editor do Scottish Rite Journal. De 1790 até 1820, maçons americanos mais jovens importaram dois novos sistemas de altos graus da Maçonaria, o Rito York, seguindo as tradições inglesas, e o Rito Escocês, seguindo práticas francesas. O Rito Escocês e o Rito York encorajaram mais instruções rituais em moralidade, embora promovessem algumas idéias fantasiosas sobre as origens da fraternidade. (Talvez a mais influente fosse a lenda de que os Maçons descendiam dos Cavaleiros Templários medievais, uma ordem que caiu em desgraça com a Igreja Católica Romana antes de desaparecer substancialmente por volta de 1300). Os novos ritos secretos e elaborados atraíram membros, mas também acrescentou às suspeitas dos críticos que já consideravam os Maçons elitistas com segredos demais para serem confiáveis.À medida que a Maçonaria reviveu após a campanha anti-maçônica, os Maçons cultivaram um estilo mais modesto. Lá se foram as festanças em tavernas e brindes que incomodavam os evangélicos. A própria ordem "assumiu uma coloração mais evangélica", diz William Moore, um historiador da Universidade da Carolina do Norte-Wilmington e autor do inédito "Templos Maçônicos: Maçonaria, Arquitetura Ritual, e Arquétipos Masculinos". "Os livros que os maçons produziram", nota Moore, "pareciam manuais de catecismo de domingo com ilustrações que pareciam iluminuras de Bíblias Vitorianas". Os maçons também começaram a direcionar esforços caritativos para comunidades maiores, e não apenas aos companheiros maçons e suas famílias. E parcialmente para acalmar a crítica das mulheres, os Maçons criaram a Ordem da Estrela do Oriente e outras filiais para que as mulheres participassem. Mesmo hoje, "a maçonaria mais ampla é somente masculina", diz Morris, embora lojas estaduais definam suas próprias regras até certo ponto, e existam alguns grupos mistos.
Após a Guerra Civil, e à medida que a Gilded Age prosseguiu até o início da década de 1870, os maçons mais uma vez modificaram seu papel, tornando-se o modelo para mais de 300 grupos fraternais que apareceram durante os próximos 50 anos. Durante esta "era dourada" de ordens fraternais, a Maçonaria e sociedades tais como Odd Fellows e Knights of Pythias ofereceram uma proteção contra a economia dinâmica e, com freqüência, mortal e uma sociedade cada vez mais diversificada. Reforçando seus bons trabalhos, incluindo o apoio a escolas e hospitais, os Maçons até mesmo encontraram uma maneira de misturar o convívio fraternal com a filantropia, criando os Nobles of the Mystic Shrine em 1870. Aberto somente a Maçons que tivessem completado os graus do Rito Escocês ou York, esta ordem voltada para festividades celebrou a personalidade bem formada em uma época que estava começando a valorizar a personalidade em detrimento de ideais mais antigos de honra e caráter. Os Schriners aprenderam a se divertir enquanto levantavam dinheiro para hospitais e ambiciosos templos Shrine.
Boato Satânico. A despeito dos bons trabalhos da fraternidade, mitos de fatos obscuros continuaram a assombrar a Maçonaria. No final da década de 1880, um malicioso escritor francês e ex-maçom, conhecido por seu pseudônimo literário de Leo Taxil, começou a jogar com os medos dos católicos em relação à ordem. Ele alegava expor os maiores segredos da ordem, conhecidos apenas dos maçons dos mais altos graus: que a religião secreta da maçonaria era a adoração de Lúcifer. Mesmo depois que Taxil confessou ser um boato em 1897, o mito serviu como um princípio de material anti-maçônico, empurrado em livros como o New World Order de Pat Robertson.
Mas, o maior desafio da Maçonaria não foi sua susceptibilidade ao uso em fantasias de conspiração. Pois todos os maçons se integraram na sociedade mais ampla, e apesar de ter um número de membros na casa dos milhões, a Maçonaria parecia menos central para a América nos Anos Vinte, e seus "candidatos" no estilo Babbitt, criavam grupos como os Kiwanis e o Rotary, que eram mais abertamente amigáveis e tinham muito menos demanda por rituais. Ainda assim a velha ordem fraternal viu mais um crescimento. Após o final da guerra, "a fraternidade maçônica realizou os lucros de seu trabalho duro entre a Grande Depressão e a Segunda Guerra Mundial", escreve Tabbert. "A ordem era mais aceita e apreciada que.... antes de 1929". Entre 1945 e 1960, o número de membros cresceu de 2,8 milhões até um pico de 4 milhões...
Daquele píncaro, a ordem perdeu lentamente mais de metade de seus membros. Para um número crescente de americanos que gastam seu tempo livre em buscas particulares - incluindo assistir muita televisão - as reuniões mensais e compromissos voluntários de vida fraternal parecem excessivos. Mas, recentemente, diz Morris, a taxa de declínio estabilizou-se. O historiador Moore sugere um motivo: "Muitos homens estão entrando na aposentadoria." Com o envelhecimento rápido da população dos EUA, as lojas começam a se encher de pessoas que tem mais tempo livre que a maior parte dos trabalhadores americanos. E quem sabe? Estes idosos, nascidos depois da Segunda Guerra, possam mesmo descobrir como trazer os americanos mais jovens de volta para a Ordem.
Fonte: Blog MICTMR

domingo, 29 de junho de 2008

A TRADIÇÃO CULTURAL ANTI-MAÇÔNICA

As tradições se formam ao correr dos séculos e se integram tão profundamente ao complexo dos usos, costumes e crenças dos povos que nem leis, nem campanhas e nem quaisquer outras ações as podem erradicar ou mesmo abrandá-las de um momento para outro. Elas até podem desaparecer, ou apenas se modificar e abrandar, mas sempre no mesmo ritmo em que se formaram, lenta e progressivamente.
Por isso não se espere que a tradição cultural anti-maçônica, tão arraigada no mundo ocidental cristão, venha a se modificar radicalmente ainda em nosso tempo. Os mentores religiosos não estão nem de leve interessados em que isso aconteça, por um motivo muito simples: os papas do Catolicismo há mais de dois séculos e meio condenam oficialmente a Maçonaria como inimiga da Igreja, ou das igrejas cristãs. A tão propalada modificação do Código do Direito Canônico na verdade não modificou nada, pois a Igreja continua a excomungar os maçons. É só ler os Estudos da CNBB - 66.
Sendo a Maçonaria exatamente a mesma dos tempos do Papa Clemente XII, modificar agora a opinião equivocada oficial a seu respeito seria o mesmo que admitir que os papas que no passado sempre a condenaram estavam errados, uma hipótese inadmissível para uma autoridade suprema que se considera infalível.
Conviver pacificamente com a Maçonaria seria para as igrejas cristãs excepcionalmente fácil. Bastaria simplesmente que suprimissem oficialmente de suas instruções aos fiéis as restrições e as condenações, como por exemplo, as contidas no opúsculo antes citado, cujas declarações ainda estão em vigor, e onde está escrito claramente que os maçons ainda continuam a ser excomungados.
O que na verdade as igrejas cristãs pretendem é que a Maçonaria deixe de ser o que é e se adapte aos desejos das autoridades eclesiásticas, de acordo com pensamentos medievalistas que ainda vigoram, infelizmente. O que principalmente incomoda essas autoridades é o sigilo, que gostariam ver extinto, pois ele impede a intromissão em nossas lojas. O opúsculo Estudos da CNDD-66 é bastante claro a esse respeito ao propor o diálogo entre a Maçonaria e a Igreja: "Mas um diálogo onde todos se apresentem abertamente, sem esconder ou disfarçar nada, nem do seu ser nem dos seus objetivos". Quem estaria escondendo o quê, se as iniciativas de diálogo sempre partem da própria Igreja?
Vale acrescentar que as religiões cristãs não católicas que se formaram a partir de dissidências da Igreja Católica, e cujos primeiros pastores e ministros certamente já haviam absorvido a danosa cultura anti-maçônica, com raras exceções, seguem a mesma atitude da Igreja da qual se originaram.
Assim, qualquer movimento para erradicar das comunidades das igrejas cristãs a cultura anti-maçônica somente poderia ser encetada a partir de superiores hierárquicos do Catolicismo e de pastores ou dos ministros das demais religiões. É sobejamente sabido que o contexto popular de um modo geral não responde a argumentos e pregações lógicos, mas apenas a apelos e pregações sentimentais de seus dirigentes religiosos.
Entre os maçons, mesmo entre os que são cristãos, essas condenações não surtem o efeito esperado porque os iniciados cedo percebem, através do convívio com os irmãos em suas lojas, que não há nelas nada contra religião alguma. Assim as sanções e as excomunhões caem no vazio e no ridículo. Isso é comprovado pelo fato de uma alta percentagem dos cinco milhões de maçons espalhados por toda a Terra serem membros ativos de igrejas cristãs que condenam a Maçonaria.
Como teria começado essa cultura anti-maçônica e porque estaria ainda muito presente entre o povo cristão neste terceiro milênio?
O primeiro grande passo foi dado pelo Papa Clemente XII no ano de 1738, com sua constituição apostólica In Eminenti Apostolatus Specula. Os motivos alegados no documento estão na verdade simplesmente ligados a uma questão de poder civil, pois não devemos nos esquecer que o papa era, e ainda se considera assim, o rei dos Estados Pontifícios. Eles ocupavam, durante todo o século XVIII, a parte central da Itália atual. Portanto era civilmente um potentado absolutista, que defendia seu poder com exércitos e manobras políticas e militares que nada tinham a ver com a defesa da fé. Agia tal qual o faziam todos os outros potentados. A Maçonaria foi olhada por aquele papa simplesmente como um possível inimigo do seu poder e não como inimigo da fé.
Ele condenou a Maçonaria porque outros soberanos já o haviam feito, porque as suas reuniões secretas poderiam pôr em perigo o Estado, já que se subtraiam ao poder de vigilância policial; exigiam juramentos, o que Igreja considera exclusividade sua; porque o segredo poderia afastar fiéis do controle pessoal da Igreja e desviá-los da sua "santa obediência"; e porque "todas essas suspeitas tornavam os Maçons suspeitos de heresia". A todo este fictício rol de suspeições está acrescentada esta coisa muito estranha "...e por outras causas justas e razoáveis por nós conhecidas", como se estivesse sendo escrito "e qualquer outra causa que julgarmos conveniente".
Um édito do Cardeal Firrao, de janeiro de 1739, confirmou a condenação esclarecendo que todos os que tivessem relacionamento com as lojas maçônicas e com os maçons pessoalmente seriam excomungados e condenados a morte com o confisco de seus bens. Era a voz de uma Inquisição felizmente já enfraquecida.
A condenação papal seguinte foi a constituição apostólica Providas, do Papa Bento XV, de maio de 1751, que reproduziu quase integralmente a de Clemente XII. Estas condenações papais foram seguidas de muitas outras, todas reproduzindo as mesmas condenações baseadas nas mesmas suspeitas de Clemente XII. A presença do espírito da Inquisição está claramente delineada nas atitudes da Igreja contra a Maçonaria. Mas felizmente o seu poder já declinara e não permitia mais executar hereges ou suspeitas de heresia.
As notícias dessas condenações papais se espalharam rapidamente por todo o mundo ocidental cristão, e os eclesiásticos do primeiro degrau da escala hierárquica, os vigários e os curas, celeremente trataram de difamar os maçons e a Maçonaria perante os fiéis de suas paróquias, dizendo-os mancomunados com o diabo para destruir a Igreja e o Papado.
A mente popular assim insuflada deu asas à sua fantasia e estabeleceu-se essa cultura anti-maçônica tão conhecida de todos. Muitos, ainda hoje, acreditam piamente que os maçons ao serem iniciados entregam sua alma ao diabo assinando com seu próprio sangue um terno de compromisso e outras tolices mais dessa espécie. São coisas tão ignorantes e tolas que comprometem por demais o conceito de seriedade das autoridades da Igreja ao não se empenharem decididamente em combatê-las.
Apesar das afirmações em contrário dos representantes da Igreja, ainda hoje os maçons continuam sob excomunhão, um resquício medieval que ninguém mais leva a sério, que nenhum efeito mais produz e que de há muito deveria estar abolido se as intenções de boa convivência fossem realmente sérias.
Além das igrejas cristãs também nos países do mundo ocidental onde imperou o Comunismo foi a Maçonaria sempre tradicionalmente considerada inimigo público e drasticamente abafada ou eliminada com o confisco de seus bens e a desapropriação de suas sedes, com a prisão de seus membros e a eliminação ou banimento de seus dirigentes. Os motivos alegados pelos governantes são em tudo semelhantes aos alegados na bula In Eminenti...de Clemente XII.
Parece haver consenso geral entre os ditadores de que aqueles que se reúnem discreta ou secretamente devem estar presumivelmente conspirando contra as autoridades, uma razão muito forte em regimes ditatoriais. Houve entre esses países uma exceção honrosa, Cuba, por motivos pessoais de seu mandante supremo, Fidel Castro.
O Comunismo e as religiões cristãs têm sido secundados pelos regimes totalitários, como o Nazismo e o Fascismo, e as ditaduras pró-católicas como as do Chile, de Portugal e da Espanha. Isso não ocorre nos meios religiosos não teístas orientais, como no Hinduismo, Budismo e outros, nem no Islamismo ou no Judaísmo, porque neles não se estabeleceu uma cultura anti-maçônica.
Como o comunismo e os regimes ditatoriais praticamente deixaram de existir no mundo ocidental, e os governos democráticos de um modo geral ignoram a existência da Maçonaria, os problemas do relacionamento Maçonaria/Sociedade estão atualmente restritos ao mundo do Cristianismo. Dessa forma, os fatos de aversão à Maçonaria estão bem regionalizados e delimitados ao Ocidente histórico, ou seja à Civilização Ocidental Cristã.
Todas essas condenações à Maçonaria foram deflagradas a partir da entrada da Maçonaria no continente europeu no segundo quartel do século XVIII (1725-1750). Quando ainda restrita à Inglaterra, que se subtraíra a influência de Roma, ela floresceu com liberdade porque nesse país a Inquisição não mais podia agir. Na Europa continental esse profundo e forte sentimento de desconfiança e de oposição à Maçonaria se fixou especialmente entre as pessoas menos cultas, isto é, aquelas que aceitam com facilidade e sem prévia análise racional crenças, crendices e histórias fabulosas.
Estas pessoas menos cultas não estão apenas entre os analfabetos. Podem ser encontradas em todas as camadas sociais e em todos os níveis de instrução, desde os alunos das escolas secundárias até os níveis universitários mais avançados. Ser culto é saber usar a razão, e nem todos os homens instruídos, mesmo os de alto nível, sabem desenvolver a sua racionalidade com respeito aos elementos de sua tradição cultural.
Para melhor compreender o sentido da expressão tradição cultural a que nos referimos com certa freqüência, esclarecemos que assim se compreende o conjunto dos conhecimentos, usos, costumes, lendas e crenças que se transmitem e se ampliam de geração em geração, tanto sustentados pelos grupos ou clãs familiares como por associações civis e para-religiosas, mas principalmente pelos apelos de mandatários religiosos.
Fonte: Grande Loja Maçônica do Estado do Mato Grosso.

sexta-feira, 13 de junho de 2008

INFLUÊNCIA DA MAÇONARIA

Os maçons se constituem de pessoas de nível cultural elevado e muitas vezes em posições estratégicas nas sociedades onde estão. Devido esta característica, já tiveram participação significativa em diversos momentos históricos. Na revolução Francesa tendo como marco a Queda da Bastilha, os maçons desempenharam extraordinária participação, inspirados pelos ideais de liberdade, igualdade e fraternidade, representados pelas três cores da bandeira francesa.

Nos EUA os maçons possuem mais de 15.000 lojas, das mais de 33.700 lojas em todo o mundo, e sempre tiveram uma influência política muito grande. Catorze presidentes americanos foram maçons, destacando-se entre eles George Washington, James Monroe, Andrew Jackson, James Garfield, Howard Taft, Franklin Delano Roosevelt, Harry Truman e Gerald Ford. A influência maçônica nos EUA fica evidenciada até mesmo nas notas de dólar, devido suas figuras (vide ilustrações abaixo).



Em 1738, o papa Clemente XII promulgou a primeira sentença de condenação católica à maçonaria, na bula In Eminenti Apostulatus Specula, mas, apesar disto, a maçonaria está presente entre os católicos. Fritz Springmeier, autor da obra The Watchtower and the Masons (A Torre de Vigia e os Maçons) afirma que o fundador das Testemunhas de Jeová, Charles Taze Russell, teve ligações com a maçonaria, pelo fato de ter pregado em lojas maçônicas. Evidência disto é o fato de haver no túmulo de Russell uma pirâmide, e a Sociedade Torre de Vigia ter adotado, até 1930, uma cruz dentro de uma coroa, como logotipo nas edições da revista The Watchtower, a atual A Sentinela.

Entre os mórmons também há ritos e símbolos maçônicos, sendo que muitos maçons proeminentes tornaram-se mórmons.

No Brasil a maçonaria também teve grande influência na História, prestando relevantes serviços. Na bandeira Inconfidência Mineira há o dístico libertas quae sera tamem e o triângulo maçônico. Tiradentes foi iniciado como maçom da casa de Silva Avarenga, que era uma loja maçônica ocultada pelo título de academia literária.Todos os conjurados, sem exceção, pertenciam à Maçonaria: Tiradentes, Thomas Antonio Gonzaga, Cláudio Manoel da Costa, Alvarenga Peixoto, e até mesmo o traidor da inconfidência, Joaquim Silvério dos Reis, também pertencia à ordem maçônica.

A Maçonaria inspirou a revolução republicana de 1817, em Pernambuco, o que fez D. João VI decretar a proibição da Maçonaria.

A independência do Brasil foi proclamada em 22 de agosto de 1822, no Grande Oriente do Brasil. O grito de independência foi mera confirmação. O Brasil já estava praticamente desligado de Portugal, desde 9 de janeiro de 1822, o dia do Fico. O Fico foi um grande empreendimento maçônico, dirigido por José Joaquim da Rocha, que com um grupo de maçons patriotas, fundou o Clube da Resistência, o verdadeiro organizador dos episódios de que resultou a ficada. Gonçalves Ledo e José Bonifácio, juntamente com outros maçons, tramaram a Inconfidência do Brasil. Um mês após a proclamar a independência do Brasil, D. Pedro I foi aclamado Grão-Mestre Geral da Maçonaria do Brasil e, em 1889, ao proclamar a República, o Marechal Deodoro da Fonseca, também ocupava este cargo. O primeiro Ministério da República, sem exceção de um só ministro, foi constituído de maçons. Mera casualidade? Não. Ele foi organizado por Quintino Bocaiúva, que havia sido grão-mestre.

Na libertação dos escravos no Brasil também houve grande iniciativa de maçons, havendo muitos maçons entre os líderes abolicionistas. Dentre muitos destacaram-se Visconde de Rio Branco, José do Patrocínio, Joaquim Nabuco, Eusébio de Queiroz, Quintino Bocaiúva, Rui Barbosa, Cristiano Otoni, Castro Alves, e muitos outros.
Atualmente há grande quantidade de parlamentares, altos funcionários do governo, empresários, comandos militares, líderes religiosos e outros membros da elite que são maçons.